Estima-se que 970 milhões de pessoas conviveram com transtornos mentais em 2019. No entanto, o acesso ao tratamento permanece limitado, com, por exemplo, apenas 23% dos indivíduos que sofrem de depressão recebendo tratamento adequado em países de alta renda, enquanto em países de baixa e média renda, esse número cai para meros 3%
As intervenções digitais em saúde mental surgiram na última década como uma resposta potencial promissora à lacuna de tratamento, aproveitando a tecnologia para oferecer tratamento de saúde mental de baixo custo, eficaz e personalizado. Chatbots de inteligência artificial generativa (Gen-AI) são promissores pois abordam questões de engajamento e retenção de usuários comuns entre as terapêuticas digitais. Essas ferramentas simulam a conversa humana usando scripts. Entretanto, ainda há uma falta de pesquisa na área.
Por isso, Heinz e colaboradores (2025) desenvolveram um estudo com objetivo de analisar um chatbot com tecnologia Gen-AI, Therabot, com ajuste fino de especialistas, para o tratamento de saúde mental.
Eles realizaram um ensaio clínico randomizado nacional de adultos (N=210) com sintomas clinicamente significativos de transtorno depressivo maior (TDM), transtorno de ansiedade generalizada (TAG) ou com alto risco clínico de transtornos alimentares (CHR-FED). Os participantes foram aleatoriamente designados para uma intervenção Therabot de 4 semanas (N=106) ou controle (N=104). Esses últimos não receberam acesso ao aplicativo durante o período do estudo, mas obtiveram após sua conclusão (8 semanas).
Os participantes foram estratificados em um de três grupos com base nos resultados da triagem de saúde mental: aqueles com sintomas clinicamente significativos de TDM, TAG ou CHR-FED.
Os resultados primários foram mudanças nos sintomas da linha de base para o pós-intervenção (4 semanas) e para o acompanhamento (8 semanas). Os secundários incluíram engajamento do usuário, aceitabilidade e aliança terapêutica (ou seja, o relacionamento colaborativo entre paciente e terapeuta). Modelos mistos de link cumulativo examinaram mudanças diferenciais.
Os usuários do Therabot mostraram reduções significativamente maiores nos sintomas de TDM, TAG e CHR-FED em relação aos controles no pós-intervenção e no acompanhamento. O Therabot foi bem utilizado (uso médio >6 horas), e os participantes avaliaram a aliança terapêutica como comparável à de terapeutas humanos.
Em suma, Heinz e colaboradores (2025) demonstraram a eficácia do chatbot de terapia Gen-AI para o tratamento de sintomas de saúde mental em nível clínico. Os resultados foram promissores para sintomas de TDM, TAG e CHR-FED. O Therabot foi bem utilizado e recebeu altas avaliações dos usuários. Assim, os Chatbots Gen-AI oferecem uma abordagem viável para fornecer intervenções de saúde mental personalizadas em escala, embora mais pesquisas com amostras clínicas maiores sejam necessárias para confirmar sua eficácia e generalização.