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/ Publicado el 6 de febrero de 2025

Saúde pública

Casos de febre amarela aumentam na América Latina, mostra alerta epidemiológico da OPAS

Apenas em janeiro de 2025 foram notificados 17 casos, com sete mortes nessa região

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico sobre febre amarela nas Américas devido ao recente aumento de casos confirmados em humanos em vários países da região e à mudança na distribuição geográfica da doença.

O aumento foi observado nos últimos meses de 2024 e nas primeiras semanas de 2025. No total, 61 casos de febre amarela foram confirmados em 2024, dos quais 30 foram fatais. O número ultrapassa os 58 casos de febre amarela, incluindo 28 mortes, registrados entre 2022 e 2023 na Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru. Em janeiro deste ano, foram notificados mais 17 casos, com sete mortes.

Embora em 2024 os casos estivessem concentrados principalmente na região amazônica da Bolívia, Brasil, Colômbia, Guiana e Peru, em 2025 a doença começou a se deslocar para áreas fora desta zona, especialmente para o estado de São Paulo, no Brasil, e para o departamento de Tolima, na Colômbia. O Peru também notificou um caso fatal. A OPAS alertou que outros países podem ser afetados de forma semelhante.

A febre amarela é uma doença viral potencialmente mortal, especialmente em sua forma mais grave. Esse aumento de casos destaca a necessidade urgente de intensificar os esforços para prevenir a propagação do vírus, fortalecer o manejo clínico (com ênfase na detecção e no tratamento precoces de casos graves) e melhorar a vigilância epidemiológica em áreas de alto risco.

A OPAS lembra que a vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para prevenir e controlar a febre amarela. Em 2024, a maioria dos casos registrados ocorreu entre pessoas que não receberam a vacina. Nesse sentido, é necessário que os países continuem fortalecendo seus programas de vacinação e adotando medidas adequadas para informar e proteger os viajantes que se dirigem a áreas de risco.

Dadas as mudanças nos padrões de transmissão do vírus, a OPAS enfatiza a necessidade de manter uma vigilância ativa, especialmente em áreas próximas às zonas afetadas, para detectar precocemente quaisquer casos suspeitos e garantir isolamento e tratamento oportunos.

Principais recomendações:

  • Reforço da vigilância: detectar rapidamente quaisquer casos suspeitos, mesmo em áreas não tradicionalmente afetadas.
  • Vacinação universal: garantir que pelo menos 95% das pessoas em áreas de risco sejam vacinadas.
  • Diagnóstico laboratorial: realizar diagnóstico virológico por PCR nos primeiros 7 a 10 dias de doença, ou IgM ELISA na fase de convalescença com interpretação cuidadosa devido à reatividade cruzada em áreas com outros flavivírus circulantes.
  • Manejo clínico: fortalecer a detecção precoce e o monitoramento especializado de pacientes graves como medida fundamental para salvar vidas.
  • Preparação para surtos: revisar e atualizar os inventários nacionais e subnacionais de vacinas para planejar uma resposta rápida a emergências.

Desde 1970, a febre amarela ressurgiu como uma ameaça à saúde pública nas Américas. A doença é endêmica em 13 países e territórios da região, causando surtos e mortes. Em 2014, o vírus ultrapassou os limites da Amazônia. Alguns atribuem esse processo à mudança na interação entre macacos, mosquitos e humanos.

A OPAS continua monitorando de perto a situação para fornecer as informações mais atualizadas e as melhores práticas para mitigar o impacto da doença, garantir uma resposta coordenada entre os países da região e oferecer apoio técnico e estratégico na prevenção e controle da febre amarela.