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/ Published on April 13, 2026

Doença inflamatória crônica

Características clínicas da rosácea no Brasil

Análise demográfica, clínica e de qualidade de vida baseada em 258 pacientes avaliados em diferentes regiões do Brasil.

Author: Bonamigo, R.R. et al.

Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia 2025;100(5):501160

A rosácea é uma doença inflamatória crônica que acomete principalmente a região central da face, sendo mais comum em mulheres de pele clara entre 20 e 50 anos, embora também possa ocorrer em homens e crianças. No Brasil, um estudo em ambulatórios dermatológicos estimou prevalência de 13% em adultos. Clinicamente, manifesta-se por eritema persistente, flushing, pápulas, pústulas, telangiectasias e possível acometimento ocular. O diagnóstico é clínico e baseado no fenótipo, seguindo critérios como os do consenso Global Rosacea Consensus (ROSCO).

A doença impacta significativamente a qualidade de vida devido à cronicidade, sintomas irritativos e impactos estéticos. Sua patogênese é multifatorial, envolvendo predisposição genética, alterações neurovasculares e imunológicas, participação do microbioma e fragilidade da barreira cutânea. Fatores como estresse, clima, bebidas quentes, álcool e alimentos apimentados também podem agravar o quadro. A rosácea também se associa a comorbidades neurológicas, psiquiátricas, gastrintestinais e cardiovasculares.

Diante da escassez de dados nacionais abrangentes, o estudo de Bonamigo e colaboradores (2025) buscou caracterizar o perfil clínico e demográfico de pacientes com rosácea no Brasil, além de investigar comorbidades, hábitos alimentares, fatores de piora e o impacto da doença na qualidade de vida.

No estudo transversal e multicêntrico, os participantes responderam a questionários clínicos, demográficos, alimentares e de fatores agravantes, além do questionário de autopreenchimento RosaQol-BR para avaliação da qualidade de vida (consistência interna verificada pelo alfa de Cronbach, considerado adequado quando superior a 0,8). A gravidade da rosácea foi classificada por dois instrumentos: o IGA-RSS, que avalia níveis de 0 a 6, e o Rosacea Clinical Scorecard (RCS), que considera características primárias, secundárias e subtipos clínicos.

Foram avaliados 258 pacientes com rosácea, predominando mulheres entre 35 e 65 anos, com fototipos II a IV, sobrepeso/obesidade, ascendência europeia e histórico familiar da doença (32%).

Houve uso frequente de anti-hipertensivos, antidepressivos, antidiabéticos e hipolipemiantes, e o tempo de evolução foi bastante variável, com média de 11 anos. Além de intervenções tópicas, 30% já haviam utilizado tratamentos orais como tetraciclinas e isotretinoína.

Pela escala IGA‑RSS, 83% apresentaram rosácea leve a moderada. No RCS, flushing ocorreu em 84% dos casos, pápulas/pústulas em 73%, ardência em 69%, formas fimatosas em 22% e acometimento ocular em 41%. Segundo a avaliação do paciente, 89% classificaram a atividade da doença como leve a moderada.

O RosaQoL mostrou maior impacto no domínio de sintomas, embora 75% classificassem a doença como boa ou regular nas últimas semanas e 58% consideram que a rosácea interferia pouco ou razoavelmente na sua qualidade de vida. Fatores agravantes foram citados por 96% dos participantes, principalmente condições ambientais, emocionais e atividade física; alimentos foram referidos por 28%, com destaque para pimenta e bebidas quentes.

Alimentos tradicionalmente reconhecidos como agravantes eram consumidos diariamente por grande parte dos pacientes, como café quente, laticínios, tomate, frutas cítricas gordura vegetal e chocolate. Tabagismo ativo foi relatado por 8% e etilismo por 5%. Comorbidades foram identicadas em 89,1% dos participantes, com destaque às doenças gastrointestinais, endocrinológicas, cardiovasculares e psiquiátricas.

Em resumo, a amostra brasileira analisada mostrou maior prevalência de rosácea em fototipos III e IV, reforçando a necessidade de atenção diagnóstica em peles mais escuras. Comorbidades foram frequentes, especialmente sobrepeso, obesidade e doenças cardiovasculares, psiquiátricas, gastrointestinais e endocrinológicas. As manifestações gastrointestinais sugeriram possível relação com o microbioma e o eixo intestino‑pele. A qualidade de vida também mostrou impacto significativo, e alimentos específicos e bebidas alcoólicas foram citados como agravantes, indicando a necessidade de mais estudos sobre a influência da dieta nessa condição.


Fonte: Perfil clínico‐demográfico, fatores agravantes, comorbidades e qualidade de vida em pacientes com rosácea: estudo multicêntrico brasileiro (GBPER: Grupo Brasileiro de Pesquisas e Estudos em Rosácea) | Anais Brasileiros de Dermatologia (Portuguese)