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/ Publicado el 14 de febrero de 2022

Importância do diagnóstico precoce

Câncer infantojuvenil

Principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 19 anos. Porém, com tratamento adequado e diagnóstico precoce, as chances de cura podem chegar a 70%.

Autor/a: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, Instituto Ronald McDonald

Fuente: Diagnóstico precoce do câncer na criança e no adolescente

No Brasil, o câncer respondeu pela oitava posição entre as causas de óbito entre crianças de 0 a 4 anos, mas é a principal causa de morte na faixa etária de 5 a 19 anos em 2014, de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade.

Enquanto nos adultos os principais fatores de risco para o câncer são ambientais, relacionados à exposição a agentes carcinogênicos e a hábitos de vida inadequados, nas duas primeiras décadas de vida o desenvolvimento está intensamente ligado a fatores genéticos herdados ou mutações adquiridas de causa incerta.

O câncer infantojuvenil apresenta características que o tornam diferente do câncer em adultos. Possui origem, predominantemente, de células embrionárias, curto período de latência e, em geral, crescimento rápido, sendo muito importante, para a obtenção de melhores resultados, a pronta suspeita diagnóstica e o ágil encaminhamento para início de tratamento.

Os tumores dos pacientes infantojuvenil podem ser subdivididos em 2 grupos:

  • Tumores hematológicos, como leucemias e linfomas.
  • Tumores sólidos, como os do sistema nervoso central, tumores abdominais e ósseos, entre outros.
Diagnóstico precoce

O progresso no desenvolvimento do tratamento do câncer na infância cresceu significativamente nas últimas quatro décadas, aumentando as possibilidades de cura e sobrevida. Estima-se que em torno de 70% das crianças acometidas podem ser curadas se o diagnóstico for precoce e a doença tratada em centros especializados.

O diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil é um desafio; os sinais e sintomas não são específicos, e por isso muitas crianças/adolescentes são encaminhadas ao centro de tratamento com a doença em estágio avançado. Essa situação pode acontecer em decorrência do tipo de tumor, da idade do paciente, da suspeita clínica, da extensão da doença, do cuidado e/ou percepção da doença pelos pais, da distância do centro de tratamento e do sistema de cuidado de saúde. Assim, é importante que os profissionais da saúde, por meio de conhecimento técnico e científico, reconheçam a possibilidade da doença e suas principais formas de apresentação.

Os sinais de alerta são como febre prolongada, vômitos, emagrecimento, sangramentos, adenomegalias generalizadas, dor óssea generalizada e palidez. Ou, ainda, por intermédio de sintomas mais localizado, como cefaleias, alterações da visão, dores abdominais e dores osteoarticulares.

Figura 1 – Sinais e sintomas do câncer infantojuvenil. Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde. Manual Aiepi

É possível observar que, no início, as similaridades de sinais e sintomas do câncer com outras doenças mais comuns da infância dificultam a confirmação do diagnóstico. Em consequência disso, as famílias recorrem a diversos atendimentos e recursos até alcançarem o diagnóstico, sendo preciso buscar inúmeros médicos, inúmeros exames e possíveis internações. É necessária a constante atualização das equipes de saúde, a fim de ampliar seus conhecimentos e direcioná-las para uma conduta adequada, de modo a serem capazes de suspeitar do tumor, solicitar exames mais detalhados e, se necessário, encaminhar a criança ao especialista.

Uma avaliação mais abrangente deve reunir informações como: o conjunto de sinais e sintomas, dados dos exames físicos e laboratoriais, aspectos ligados ao sexo, à região, ao histórico familiar, entre tantas outras variáveis que não estabelecem propriamente o diagnóstico, mas racionalizam seus diferenciais. Assim, antes do diagnóstico, os aspectos diferenciais devem ser minuciosamente estudados, não somente pelo médico, mas por todos os envolvidos na assistência à saúde.

O momento de diagnóstico do câncer está vinculado ao sentimento de desespero, medo, tristeza e preocupação com o futuro da criança. Nessa fase, as famílias requerem profissionais competentes, tanto no âmbito do conhecimento técnico-científico como também no que se refere ao apoio e à escuta.

Os profissionais da saúde muitas vezes, postergam o diagnóstico por não cogitarem a existência do câncer, por mais que as evidências estejam presentes. A difícil tarefa de lidar com as preocupações dos pais de maneira adequada, avaliando corretamente os principais sintomas inespecíficos, e o acesso rápido aos exames diagnósticos, são os mais importantes passos em direção ao diagnóstico precoce.

Embora o câncer infantojuvenil não seja comum, estabelecer um diagnóstico não condizente com o real problema de saúde da criança e/ou adolescente pode acarretar graves problemas de saúde. Em alguns casos, o tratamento inadequado pode diminuir ou até mesmo mascarar os sintomas apresentados. Essa situação colabora para aumento do período entre o início da doença e seu tratamento correto, o que reflete na evolução da doença.

Conclui-se que a responsabilidade pelo atraso do diagnóstico pode ser do paciente, do médico e do comportamento biológico da doença. Os principais fatores relacionados ao atraso no diagnóstico podem estar relacionados à idade da criança no momento do diagnóstico, ao tipo e estágio do câncer, à apresentação de sinais/sintomas, ao local do tumor, e à especialidade médica consultada pela primeira vez.

Na atualidade, é de responsabilidade do médico pediatra identificar casos suspeitos, iniciar a investigação adicional e encaminhar a criança ou o adolescente ao serviço de referência. A precocidade e a agilidade que devem mover esses procedimentos são decisivas para que o paciente receba o tratamento com todo o potencial de eficácia e dele se beneficie em sua máxima amplitude. Com isso, tem-se o objetivo de alcançar melhores índices de cura e redução das sequelas, permitindo um tratamento com mais êxito, já que a sobrevida é significativamente melhor em doenças localizadas, assim como são melhores os resultados funcionais.

Portanto, já na atenção primária, o profissional deve proceder a uma análise cuidadosa, com base principalmente em seu conhecimento do caso e da doença, sempre considerando o paciente em seus aspectos biopsicossociais. Nesse processo, toma decisões, cujo acerto ou erro repercute sobre a vida do paciente e sua qualidade de vida.

Da mesma maneira, identifica-se que, para o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil e, consequentemente, maiores chances de cura e qualidade de vida adequada, são necessárias ações que impliquem a atuação conjunta das organizações de saúde e dos órgãos de formação dos profissionais, a fim de promover um cuidado integral. Estes precisam reconhecer os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil e utilizar os recursos disponíveis, não se esquecendo de se preocupar com o ser humano em sua singularidade, com base nos princípios do cuidado humanizado. Acredita-se que isso ampliará a resolutividade dos problemas de saúde dos indivíduos.

Os profissionais de saúde devem atuar em equipe a fim de oferecer informações e apoio contínuo às famílias, para ajudá-las a enfrentar as situações estressantes, de modo que possam colaborar e participar ativamente do tratamento. Assim se viabilizará o necessário conforto de todos aqueles que estão envolvidos no processo de tratamento, esclarecendo as questões que permeiam o acompanhamento do paciente oncológico.


Créditos da imagem principal: Canva