Noticias médicas

/ Publicado el 26 de octubre de 2025

Saúde

Câncer de próstata pode ter cura em até 98%

Estimativa é de especialista da Sociedade Brasileira de Urologia

Autor/a: Alana Gandra

Fuente: Agência Brasil Cura de câncer de próstata pode chegar a até 98%

A taxa de cura do câncer de próstata pode alcançar até 98%, segundo o coordenador de robótica do Departamento de Terapias Minimamente Invasivas da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Dr. Gilberto Laurino Almeida.

De acordo com o especialista, esse índice depende do estágio da enfermidade, do tipo de tumor e do momento em que o tratamento foi iniciado. “Quando a doença é detectada precocemente, a probabilidade de cura é elevada. Já em estágios mais avançados, essa chance diminui”, explicou o urologista.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê 71.730 novos diagnósticos de câncer de próstata no Brasil em 2025. Após os tumores não cutâneos, esse tipo é o mais comum e impactante entre os homens. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, foram registrados 17.093 óbitos pela doença — uma média de 47 mortes por dia.

Conscientização

Dr. Almeida ressaltou a importância dos cuidados com a saúde masculina, tema central da Campanha Novembro Azul 2025, que será lançada em breve pela SBU. “Não se trata apenas da próstata. Há um conceito mais amplo de saúde envolvido. Para viver mais e melhor, o homem precisa se cuidar”, afirmou.

Ele destacou que, com o aumento da expectativa de vida, é essencial que os homens estejam atentos à prevenção de doenças evitáveis, como o câncer de próstata. “A cura pode chegar a 98%, mas isso depende do diagnóstico precoce”, reforçou.

A campanha tem como objetivo incentivar os homens a procurarem um urologista. Uma das barreiras apontadas pelo especialista é a falta de hábito dos homens em realizar consultas médicas regulares, ao contrário das mulheres com o ginecologista.

Como parte das ações do Novembro Azul, a SBU promoverá um mutirão de atendimentos em Florianópolis (SC), no dia 12 de novembro, durante o 40º Congresso Brasileiro de Urologia, que ocorrerá entre os dias 15 e 18. O mutirão visa conscientizar sobre o câncer de próstata e realizar avaliações em diversos pacientes. Aqueles com suspeita da doença serão encaminhados para biópsia e, se confirmado o diagnóstico, direcionados ao tratamento adequado.

Segundo Almeida, entre 85% e 90% dos casos de câncer de próstata são esporádicos, ou seja, sem histórico familiar. A prevenção consiste em visitar o urologista ao menos uma vez por ano. “Essa é a forma de evitar um diagnóstico tardio e garantir a cura. Quando o tumor é localizado e tratado na fase inicial, a maioria dos casos é curável”, afirmou.

Sistema Único de Saúde

Atualmente, a cirurgia robótica é a técnica mais utilizada pelos urologistas para remover tumores prostáticos. Almeida comemorou a decisão do Ministério da Saúde de incluir a prostatectomia radical assistida por robô no tratamento de câncer de próstata avançado pelo SUS. A portaria estabelece um prazo de até 180 dias para que as áreas técnicas implementem a oferta.

No entanto, o médico alertou que, apesar da tecnologia ser excelente e necessária no SUS, sua implementação foi apressada. “Não há robôs suficientes no SUS para atender a demanda. Ou há poucos disponíveis”, disse.

Ele explicou que o custo da tecnologia é elevado. “A aquisição dos equipamentos, instalação e treinamento das equipes leva tempo. Existe uma lacuna entre o que foi aprovado e o que realmente será executado, e ainda não sabemos como isso se dará”, afirmou.

Segundo o especialista, a maioria dos hospitais públicos não tem recursos para adquirir plataformas robóticas. Ele acredita que a adaptação da rede hospitalar levará mais tempo do que os 180 dias previstos. “E nem todos terão acesso”, destacou.

Questionado sobre a possibilidade de realizar a cirurgia robótica em hospitais privados conveniados ao SUS, Almeida disse que isso dependerá da forma como o processo será estruturado.

“Há outras cirurgias que foram incorporadas ao SUS e ainda não são realizadas, pois exigem equipamentos e materiais descartáveis que não foram regulamentados”, exemplificou, citando a ureteroscopia — procedimento endoscópico para retirada de cálculos renais — como uma dessas cirurgias de alto custo que ainda não são realizadas no SUS por falta de normatização.

Cirurgia Robótica

A cirurgia robótica para câncer de próstata é semelhante à laparoscopia. O procedimento utiliza portais inseridos no abdômen ou tórax, por onde passam instrumentos chamados pinças, acopladas aos braços robóticos. Esses braços são controlados por um cirurgião que opera a partir de um console, fora do campo cirúrgico, com o auxílio de outro profissional junto ao paciente.

Essa técnica oferece visão 3D ampliada e maior precisão nos movimentos. Já a cirurgia endoscópica, diferente da laparoscópica, é realizada pela uretra e indicada para raspagem da próstata em casos sem câncer.

Almeida reiterou que pacientes com câncer de próstata localizado, sem metástase, têm chance de cura de até 98% quando submetidos à cirurgia.