Atualmente, o uso de canabinoides para fins medicinais em crianças com certas patologias tem se tornado cada vez mais comum. No entanto, as evidências sobre a segurança dessa classe nesse contexto ainda são limitadas, destacando a necessidade urgente de informações confiáveis para preencher essa lacuna. Nesse cenário, Chhabra e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de investigar o perfil dos eventos adversos relacionados ao uso medicinal de canabinoides em crianças e adolescentes.
Para a revisão sistemática e metanálise, os pesquisadores utilizaram bancos de dados como MEDLINE, Embase, PsycINFO e Cochrane Library para identificar ensaios clínicos randomizados publicados até 1º de março de 2024. Foram usados termos específicos e palavras-chave focados em cannabis e seu uso em crianças e adolescentes. Os estudos incluídos precisavam envolver ao menos um participante com 18 anos ou menos, utilizar canabinoides naturais ou farmacêuticos como intervenção para tratar alguma condição médica, e contar com um comparador ativo ou placebo. Para avaliar a qualidade dos estudos, foram seguidas as diretrizes PRISMA e PRISMA-S.
Entre as 39.175 citações iniciais, 23 ensaios clínicos randomizados (ECRs), envolvendo 3.612 participantes, foram incluídos na análise (635 [17,6%] mulheres e 2.071 [57,3%] homens). Desses ensaios, 11 (47,8%) incluíam apenas crianças e adolescentes, enquanto os outros 12 (52,2%) incluíam também adultos. As intervenções investigadas analisaram o canabidiol purificado (11 [47,8%]), nabilona (4 [17,4%]), tetrahidrocanabinol (THC) (3 [13,0%]), extrato de erva de cannabis (3 [13,0%]) e dexanabinol (2 [8,7%]). As principais condições tratadas foram epilepsia (9 [39,1%]) e náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia (7 [30,4%]).
Em comparação com o controle, os canabinoides foram associados a um risco aumentado de eventos adversos gerais (razão de risco [RR], 1,09; IC 95%, 1,02-1,16; I² = 54%; 12 ensaios) e eventos adversos graves (RR, 1,81; IC 95%, 1,21-2,71; I² = 59%; 11 ensaios). Os mais frequentemente associados foram diarreia (RR, 1,82; IC 95%, 1,30-2,54; I² = 35%; 10 ensaios), aumento dos níveis séricos de aspartato aminotransferase (RR, 5,69; IC 95%, 1,74-18,64; I² = 0%; 5 ensaios) e alanina aminotransferase (RR, 5,67; IC 95%, 2,23-14,39; I² = 0%; 6 ensaios), além de sonolência (RR, 2,28; IC 95%, 1,83-2,85; I² = 8%; 14 ensaios).
Chhabra e colaboradores (2024) revelaram que o uso de canabinoides para fins medicinais em crianças e adolescentes foi associado a um risco aumentado de eventos adversos. Esses achados indicaram a necessidade de estudos de segurança a longo prazo, especialmente aqueles que explorem interações medicamentosas envolvendo canabinoides e aprimorem as ferramentas de relato de eventos adversos.
Publicado el 2 de octubre de 2024
Revisão sistemática e metanálise
Canabinoides usados para fins médicos em crianças e adolescentes
Descobertas sugeriram que médicos devem avaliar o perfil de risco e benefício dos canabinoides
Autor/a: Chhabra, M. et al. (2024)
Fuente: JAMA Network Cannabinoids Used for Medical Purposes in Children and Adolescents: A Systematic Review and Meta-Analysis
Atualmente, o uso de canabinoides para fins medicinais em crianças com certas patologias tem se tornado cada vez mais comum. No entanto, as evidências sobre a segurança dessa classe nesse contexto ainda são limitadas, destacando a necessidade urgente de informações confiáveis para preencher essa lacuna. Nesse cenário, Chhabra e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de investigar o perfil dos eventos adversos relacionados ao uso medicinal de canabinoides em crianças e adolescentes.
Para a revisão sistemática e metanálise, os pesquisadores utilizaram bancos de dados como MEDLINE, Embase, PsycINFO e Cochrane Library para identificar ensaios clínicos randomizados publicados até 1º de março de 2024. Foram usados termos específicos e palavras-chave focados em cannabis e seu uso em crianças e adolescentes. Os estudos incluídos precisavam envolver ao menos um participante com 18 anos ou menos, utilizar canabinoides naturais ou farmacêuticos como intervenção para tratar alguma condição médica, e contar com um comparador ativo ou placebo. Para avaliar a qualidade dos estudos, foram seguidas as diretrizes PRISMA e PRISMA-S.
Entre as 39.175 citações iniciais, 23 ensaios clínicos randomizados (ECRs), envolvendo 3.612 participantes, foram incluídos na análise (635 [17,6%] mulheres e 2.071 [57,3%] homens). Desses ensaios, 11 (47,8%) incluíam apenas crianças e adolescentes, enquanto os outros 12 (52,2%) incluíam também adultos. As intervenções investigadas analisaram o canabidiol purificado (11 [47,8%]), nabilona (4 [17,4%]), tetrahidrocanabinol (THC) (3 [13,0%]), extrato de erva de cannabis (3 [13,0%]) e dexanabinol (2 [8,7%]). As principais condições tratadas foram epilepsia (9 [39,1%]) e náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia (7 [30,4%]).
Em comparação com o controle, os canabinoides foram associados a um risco aumentado de eventos adversos gerais (razão de risco [RR], 1,09; IC 95%, 1,02-1,16; I² = 54%; 12 ensaios) e eventos adversos graves (RR, 1,81; IC 95%, 1,21-2,71; I² = 59%; 11 ensaios). Os mais frequentemente associados foram diarreia (RR, 1,82; IC 95%, 1,30-2,54; I² = 35%; 10 ensaios), aumento dos níveis séricos de aspartato aminotransferase (RR, 5,69; IC 95%, 1,74-18,64; I² = 0%; 5 ensaios) e alanina aminotransferase (RR, 5,67; IC 95%, 2,23-14,39; I² = 0%; 6 ensaios), além de sonolência (RR, 2,28; IC 95%, 1,83-2,85; I² = 8%; 14 ensaios).
Chhabra e colaboradores (2024) revelaram que o uso de canabinoides para fins medicinais em crianças e adolescentes foi associado a um risco aumentado de eventos adversos. Esses achados indicaram a necessidade de estudos de segurança a longo prazo, especialmente aqueles que explorem interações medicamentosas envolvendo canabinoides e aprimorem as ferramentas de relato de eventos adversos.