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/ Publicado el 8 de julio de 2025

Prevenção primária de lombalgia

Caminhada na prevenção da dor lombar crônica

Evidências mostraram que um volume diário superior a 100 minutos foi associado à redução significativa do risco de dor lombar crônica.

Autor/a: Haddadj, R. et al.

Fuente: JAMA Netw Open. ;8(6):e2515592. (2025) Volume and Intensity of Walking and Risk of Chronic Low Back Pain.

A dor lombar (LBP) crônica afeta pessoas de todas as idades e é uma das principais causas de incapacidade funcional e impacto econômico nos sistemas de saúde, especialmente nos Estados Unidos.

Embora manter-se fisicamente ativo seja recomendado para seu manejo, ainda não há recomendações explícitas sobre a atividade física para prevenção primária. A caminhada, sendo a forma mais comum de exercício entre adultos, está associada a menor risco de diversas doenças crônicas, mas sua relação com o risco de LBP permanece pouco explorada.

Estudos clínicos mostraram que programas educativos com caminhada reduziram a recorrência de LBP em indivíduos que haviam se recuperado recentemente de um episódio de dor lombar inespecífica. Além disso, revisões sistemáticas apontaram benefícios preventivos de outros tipos de exercícios — como força, resistência e alongamento — para pessoas assintomáticas. No entanto, poucos estudos avaliaram diretamente o impacto da caminhada e ainda não há evidências conclusivas sobre sua eficácia na redução do risco de dor lombar crônica.

Diante disso, Haddadj e colaboradores (2025) analisaram se o volume diário de caminhada e sua intensidade foram associados ao risco de dor lombar crônica.

Os autores realizaram um estudo de coorte prospectivo populacional que utilizou dados do Estudo de Saúde de Trøndelag (HUNT), conduzido na Noruega, com período basal entre 2017 e 2019 e seguimento de 2021 a 2023. Foram incluídos 11.194 participantes, com idade média de 55,3 anos e prevalência feminina (58,6%), sem dor lombar crônica no início do estudo e com ao menos um dia válido de caminhada mensurada por acelerômetro. As exposições avaliadas foram o volume diário de caminhada (minutos/dia) e a intensidade (MET/min). O desfecho primário foi a dor lombar crônica autorreferida no seguimento, definida como dor com duração de 3 meses ou mais nos últimos 12 meses.

O volume médio foi de 103,8 minutos por dia, durante aproximadamente seis dias, e, após um seguimento médio de 4,2 anos, 14,8% dos participantes relataram dor lombar crônica.

A análise por quartis de volume diário de caminhada revelou uma associação inversa com o risco de dor lombar crônica. Participantes que caminhavam mais de 78 minutos por dia apresentaram menor risco de desenvolver LBP. Além disso, aqueles que praticavam mais de 100 minutos diários tiveram uma redução de 23% em comparação aos que caminhavam menos de 78 minutos — embora esse benefício tenha se estabilizado a partir desse ponto. A associação foi mais consistente entre indivíduos com 65 anos ou mais, sem variações significativas entre os sexos.

Quanto à intensidade da caminhada, valores superiores a 3,00 MET/min também se associaram a menor risco de dor lombar crônica.  A análise conjunta indicou que, nos três primeiros quartis de volume, a intensidade acima de 3,00 MET/min esteve associada à redução do risco, enquanto no quartil mais alto de volume (mais que 125 min/dia), essa associação foi menos evidente.

As curvas dose-resposta revelaram relação inversa e não linear entre volume de caminhada e risco de dor lombar crônica, com maior benefício até cerca de 100 minutos por dia. A intensidade também apresentou associação não linear, com redução de risco até cerca de 3,1–3,2 MET/min, seguida por leve aumento.

Em conclusão, o estudo de Haddadj e colaboradores (2025) demonstrou que um maior volume diário de caminhada foi associado a uma redução significativa no risco de LBP, enquanto os benefícios da maior intensidade foram menos expressivos. Os achados indicaram que o volume diário foi um fator mais determinante do que a intensidade média na prevenção do risco, reforçando que políticas e estratégias de saúde pública voltadas à promoção da caminhada regular podem contribuir de forma relevante para a redução da ocorrência dessa condição.