A Câmara dos Deputados aprovou no dia 2 de março de 2026 o Projeto de Lei 2158/23, que permite que supermercados instalem um setor de farmácia dentro de suas dependências, desde que seja um espaço exclusivo, separado fisicamente e destinado apenas a essa finalidade. Agora, o projeto segue para análise e possível sanção da Presidência da República.
Segundo o relator, deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO), a mudança deve facilitar o acesso da população a medicamentos, especialmente em municípios pequenos e regiões afastadas, onde muitas vezes não há farmácias disponíveis.
Por outro lado, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) criticou a iniciativa, alegando que ela incentiva a automedicação e favorece interesses da indústria farmacêutica. “A pessoa vai pegar o medicamento junto com o pão”, disse.
Regras estabelecidas
O texto prevê que, embora a farmácia em questão possa operar sob a mesma identidade fiscal do supermercado ou por meio de contrato com drogaria licenciada e registrada nos órgãos competentes, ela terá que seguir as mesmas exigências sanitárias e técnicas vigentes, incluindo:
- presença obrigatória de farmacêuticos habilitados durante todo o horário de funcionamento;
- estrutura física adequada, incluindo consultórios farmacêuticos;
- condições adequadas de armazenamento, iluminação, temperatura, ventilação e umidade;
- rastreabilidade e garantia de assistência farmacêutica.
O projeto também veda a venda de medicamentos em espaços abertos como gôndolas, bancadas ou estandes fora da área segregada da farmácia.
Medicamentos de controle especial
Para remédios que exigem retenção de receita, o texto determina que o produto só seja entregue ao consumidor após o pagamento. O transporte desses itens até o caixa deve ocorrer em embalagem lacrada, inviolável e identificável.
O texto também autoriza farmácias devidamente registradas a utilizarem plataformas digitais para logística e entrega, desde que respeitadas integralmente as normas sanitárias.
O Conselho Federal de Farmácia afirmou que o projeto mantém salvaguardas importantes, como a exigência de espaço exclusivo, presença obrigatória de farmacêuticos e respeito às normas sanitárias. A entidade destacou ainda que a proposta não libera a exposição de medicamentos em gôndolas de supermercado e que foram derrubadas emendas que permitiriam assistência farmacêutica remota em municípios pequenos.
Para o conselho, o texto aprovado mantém o equilíbrio entre acesso, concorrência e proteção à saúde pública.
O Conselho Nacional de Saúde recomendou a rejeição de propostas que permitam a venda de medicamentos em supermercados, alegando que a medida coloca interesses comerciais acima da segurança da população e pode prejudicar o uso racional de remédios.
Em dezembro, o Ministério da Saúde também se manifestou contra o projeto, afirmando que ele compromete diretrizes da Política Nacional de Assistência Farmacêutica. A pasta reforçou que até mesmo medicamentos isentos de prescrição podem causar riscos quando usados sem orientação, como intoxicações, interações inadequadas e mascaramento de sintomas, comprometendo o cuidado correto e a saúde pública.