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Publicado el 2 de marzo de 2025

Alimentação e saúde

Brasileiros veganos comem menos proteína?

Estudo revela que a maioria dos veganos brasileiros atinge as recomendações de proteínas, mas a dependência de alimentos ultraprocessados pode afetar a adequação nutricional.

Autor/a: Leitão et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2024;7(6):e2418226. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.18226 Protein and Amino Acid Adequacy and Food Consumption by Processing Level in Vegans in Brazil

O veganismo é um estilo de vida que vem ganhando popularidade mundial e promove a abstinência do uso de produtos de origem animal. A ausência desses alimentos tem gerado controvérsia contínua sobre a capacidade de indivíduos que seguem essa dieta vegana atenderem às recomendações de proteínas e aminoácidos essenciais.

Diversos substitutos vegetais para carne e laticínios foram formulados com a alegação de serem complementos práticos e ricos em proteínas para uma dieta vegana. No entanto, o consumo excessivo desses produtos pode comprometer a base alimentar e aumentar a ingestão de alimentos ultraprocessados.

Por isso, Leitão e colaboradores (2024) investigaram a ingestão de proteínas e aminoácidos essenciais em um levantamento de indivíduos brasileiros que seguem uma dieta vegana. Ademais, eles determinaram o consumo de alimentos ultraprocessados e possíveis fatores associados à ingestão inadequada de proteínas nessa população.

Para isso, eles realizaram um estudo transversal de 2021 até 2023 no Brasil, com adultos que seguiam uma dieta vegana, recrutados por meio de plataformas de mídias sociais. Os participantes completaram uma pesquisa online por meio da plataforma Google Forms (Google LLC). O questionário incluiu perguntas sobre características gerais dos participantes, dados antropométricos autorrelatados e estilo de vida vegano.

A ingestão de macronutrientes, micronutrientes, aminoácidos e alimentos por nível de processamento foi avaliada por meio de um diário alimentar autoadministrado de 1 dia. As razões de adequação de nutrientes foram calculadas dividindo a ingestão de nutrientes pela recomendação (com escores truncados em 1) para cada participante e, em seguida, calculando a média entre os participantes para cada nutriente. A razão média de adequação foi a média de todas as razões de adequação de nutrientes.

Dos 1014 participantes que completaram a pesquisa, 774 indivíduos foram confirmados como aderentes à dieta vegana e forneceram registros alimentares adequados. Destes, 558 relataram peso corporal, permitindo o cálculo da ingestão relativa de proteínas e aminoácidos. O índice de massa corporal (IMC) mediano, calculado como peso em quilogramas dividido pela altura em metros ao quadrado, foi de 22,6.

A razão de adequação de nutrientes para proteínas foi de 0,93; para aminoácidos essenciais, as razões variaram de 0,90 para lisina a 0,98 para fenilalanina e tirosina. A razão média de adequação para proteínas e todos os aminoácidos foi de 0,95.

Os alimentos in natura e minimamente processados representaram uma mediana de 66,5% da ingestão total de energia, enquanto os ultraprocessados corresponderam a 13,2%.

Modelos de regressão logística ajustados mostraram que o consumo de suplementos proteicos ou de proteína de soja texturizada estava associado a menores chances de ingestão inadequada de proteínas. Níveis mais altos de ingestão de alimentos ultraprocessados também foram associados a menores chances de inadequação proteica. Por outro lado, níveis mais altos de ingestão de proteínas de alimentos in natura e minimamente processados estavam associados a maiores chances de ingestão inadequada de proteínas.

Sendo assim, a maioria dos indivíduos que seguiam uma dieta vegana atingiu as recomendações de ingestão de proteínas e aminoácidos essenciais. A dieta era majoritariamente composta por alimentos in natura e minimamente processados, com uma proporção significativamente menor de alimentos ultraprocessados em comparação a relatos anteriores. No entanto, os participantes que consumiam menos alimentos ultraprocessados apresentaram maior probabilidade de ingestão inadequada de proteínas, sugerindo uma dependência significativa de proteínas ultraprocessadas nessa população.