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/ Publicado el 14 de diciembre de 2023

Saúde

Brasil e Alemanha assinam acordo para laboratório de R$ 1 bilhão que ajudará em futuras pandemias

Batizado de Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) será 'único no mundo', uma vez que será integrado ao Sirius, acelerador de partículas no CNPEM, em Campinas (SP).

Brasil e Alemanha assinaram nesta segunda-feira (4), em Berlim, um acordo de cooperação para implantação do Orion, laboratório de biossegurança máxima (NB4) de R$ 1 bilhão que será construído no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

A estrutura que permitirá o enfrentamento de futuras pandemias, com estudos de patógenos capazes de causar doenças graves, e terá uma característica única no mundo: é a primeira vez que um NB4 estará conectado a uma fonte de luz síncrotron, o Sirius. Conheça, abaixo, detalhes do projeto.

A declaração conjunta de inteção foi assinada entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM, o Ministério da Saúde (MS) e o Instituto Robert Koch (RKI) da Alemanha.

De acordo com a ministra da Ciência, Luciana Santos, o acordo envolve planejamento, construção, operação, monitoramento e avaliação de instalações de nível de biossegurança 4, além de trabalhos de pesquisa e das oportunidades de intercâmbio.

Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, destacou que o instituto alemão é um dos centros de referência mundial na área de pesquisas em biomedicina, com particular ênfase em patógenos.

"A parceria terá papel importante não apenas durante a execução e desenvolvimento do projeto Orion, mas também ao auxiliar na mobilidade e treinamento de pesquisadores, na realização de pesquisas conjuntas e, de forma mais ampla, na área de saúde, do diagnóstico e do desenvolvimento de vacinas”, explicou Silva.

Como será o Orion? 
  • O complexo laboratorial de máxima contenção biológica representa um avanço para o Brasil, que permitirá pesquisas com patógenos capazes de causar doenças graves e com alto grau de transmissibilidade (das chamadas classes 3 e 4) - estrutura essa que não existe até hoje em toda a América Latina.
  • Possuir um laboratório de biossegurança máxima (NB4) oferece condições ao país de monitorar, isolar e pesquisar os agentes biológicos para desenvolver métodos de diagnóstico, vacinas e tratamentos.
  • o caso do Brasil, mais do que armazenar e manipular essas amostras biológicas, o laboratório de biossegurança máxima terá acesso exclusivo a três linhas de luz (estações de pesquisa) do Sirius, o que não existe em nenhum outro lugar do mundo.
  • É por conta dessa conexão com o Sirius que vem o nome do projeto, Orion, em homenagem à constelação que possui três estrelas apontadas para a estrela que batizou o acelerador de partículas brasileiro.
  • O projeto prevê a capacitação de cientistas brasileiros para lidar com agentes infecciosos desses tipos. Essa formação já integra o custo previsto de R$ 1 bilhão.
  • O complexo laboratorial terá cerca de 20 mil metros quadrados, e sua construção está prevista para ficar pronta até 2026. Após essa etapa, o Orion passará pelo chamado comissionamento técnico e científico, e também por certificações internacionais de segurança, para que possa entrar em operação regular.
Vírus circulantes na mira

De acordo com o CNPEM, existem cerca de 60 laboratórios de máxima contenção no mundo, com estrutura e certificados para manipular amostras biológicas classificados como "classe 4" - nenhum deles na América do Sul, Central ou Caribe.

E o que isso permite? Para se ter uma ideia, o primeiro e único vírus desta categoria já identificado no Brasil, o Sabiá (SABV), que causa a febre hemorrágica brasileira, doença diagnosticada em humanos pela primeira vez na década de 1990, tem amostras isoladas armazenadas no exterior.

Pesquisas mais aprofundadas sobre a doença não são realizadas hoje em solo brasileiro por falta de infraestrutura adequada. Segundo Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a doença teve recentes notificações.

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