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Publicado el 15 de julio de 2025

Tratamento de incontinência

Botox ou sling para incontinência urinária mista?

Existe um tratamento baseado em procedimento superior para mulheres com incontinência urinária mista que apresentam incômodo moderado ou grave tanto com a incontinência de esforço quanto com a de urgência?

Autor/a: Harvie, H. S. et al.

Fuente: JAMA.;333(21):1887–1896. doi:10.1001/jama.2025.4682 (2025) Midurethral Sling vs OnabotulinumtoxinA in Females With Urinary Incontinence: The MUSA Randomized Clinical Trial.

A incontinência urinária mista — que inclui componentes de esforço e urgência — afeta negativamente a qualidade de vida de muitas mulheres e representa grande um desafio terapêutico. A incontinência de esforço é causada por fraqueza dos músculos do assoalho pélvico ou lesão do esfíncter uretral, sendo comum após parto vaginal, menopausa ou cirurgias ginecológicas. Por sua vez, a de urgência está associada à bexiga hiperativa, que se contrai involuntariamente mesmo sem estar cheia, podendo ter origem neurológica, inflamatória ou emocional. Apesar dos avanços no manejo da incontinência urinária mista, ainda há escassez de estudos comparativos que avaliem a eficácia de diferentes abordagens baseadas em procedimentos, dificultando a padronização da conduta clínica para essa condição.

Diante disso, Harvie e colaboradores (2025) avaliaram se a onabotulinumtoxinaA intravesical seria mais eficaz que o sling médio-uretral no tratamento da incontinência urinária mista em mulheres.

O ensaio randomizado incluiu mulheres maiores de 21 anos com incômodo moderado a grave por incontinência de esforço e urgência, sem resposta a tratamentos conservadores e medicamentos orais. O estudo foi realizado em 7 centros nos EUA entre julho de 2020 e setembro de 2022, com seguimento até dezembro de 2023. Foram aplicadas injeções intravesicais de onabotulinumtoxinaA (100 U), focada na urgência, comparado a cirurgias com sling médio-uretral sintético, focada na incontinência de esforço. Reaplicações e tratamentos cruzados foram permitidos entre 3 e 12 meses.

Os desfechos principais foram mudança na pontuação total do Urogenital Distress Inventory (UDI) aos 6 meses (0–300 pontos; maiores valores indicam sintomas mais graves). Enquanto os secundários incluíram subescores de esforço e irritativos.

Das 150 mulheres randomizadas, com idade média de 59 anos, 137 foram tratadas e incluídas na análise. Ambos os grupos apresentaram melhora na pontuação total do UDI, sem diferença significativa. O sling teve maior melhora na pontuação de esforço, mas não houve diferença significativa na pontuação irritativa. Além disso, eventos adversos foram semelhantes entre os grupos.

Em conclusão, não houve diferença significativa na melhora dos sintomas aos 6 meses entre os grupos tratados com onabotulinumtoxinaA ou sling médio-uretral. Os resultados sugeriram que a escolha do tratamento pode ser guiada pela preferência da paciente, em conjunto com a recomendação médica.