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/ Publicado el 24 de noviembre de 2024

Atualização para prática clínica

Avaliação da fibra capilar

Revisão atualizada de metodologias diagnósticas laboratoriais e ambulatoriais da haste capilar

Autor/a: Martins, T. et al. (2024)

Fuente: Surgical & Cosmetic Dermatology Atualização na avaliação da fibra capilar

A compreensão das alterações no couro cabeludo e na haste capilar tem contribuído significativamente para o avanço dos diagnósticos e das abordagens terapêuticas. Nesse contexto, Martins e colaboradores (2024), por meio de uma revisão, buscaram atualizar os dermatologistas quanto às metodologias diagnósticas laboratoriais e ambulatoriais aplicadas à análise da haste capilar.

Estrutura capilar

A fibra capilar, amplamente reconhecida por sua resistência, é composta por três principais estruturas morfológicas: cutícula, córtex e, em alguns casos, medula.

Cutícula: A cutícula consiste em camadas de células planas sobrepostas, semelhantes a escamas, que envolvem a parte central da fibra, proporcionando uma barreira espessa e altamente resistente a agentes químicos. Essa camada é crucial para características como brilho, resistência e facilidade de pentear, sendo composta predominantemente por células queratinizadas (80%), lipídios estruturais e proteínas associadas à queratina, ricas em enxofre. O alinhamento e a integridade da cutícula influenciam diretamente a maciez, o brilho e o controle do frizz dos cabelos.

Córtex: Representando cerca de 75% da massa da fibra capilar, o córtex é a principal estrutura responsável pela força e resistência mecânica do fio. É também no córtex que se encontram os grânulos de melanina, responsáveis pela cor dos cabelos. O complexo de membrana cuticular (CMC), que une as células corticais e medulares, é rico em ácido 18-metileicosanoico (18-MEA), conferindo hidrofobicidade ao cabelo e reduzindo a fricção entre as fibras capilares, facilitando a lubrificação natural.

Medula: A medula, quando presente, localiza-se na parte mais interna da fibra. Diversos estudos sugerem que sua presença está associada a um aumento no diâmetro do fio capilar.

Avaliação capilar

A fibra capilar é formada no folículo piloso, e qualquer alteração nesse folículo pode impactar sua estrutura e qualidade. A avaliação da fibra capilar pode ser realizada por métodos clínicos e laboratoriais, cada um com finalidades específicas. Os métodos clínicos têm um papel diagnóstico no tratamento de alterações da haste capilar, investigando queixas relacionadas a fatores internos e externos. Esses exames são conduzidos durante a avaliação dermatológica de rotina, que inclui anamnese, exame físico (como o teste de tração), dermatoscopia e o teste rápido de perda proteica.

Por outro lado, os métodos laboratoriais fornecem informações detalhadas sobre a estrutura da fibra capilar e a resposta desta a produtos cosméticos. Esses métodos são amplamente utilizados pela indústria cosmética para o desenvolvimento de novos produtos, permitindo a avaliação das características físicas e químicas da haste capilar e a mensuração dos danos causados por agentes externos. Entre esses métodos, destacam-se as diversas formas de microscopia e a tomografia de coerência óptica, que oferecem uma análise visual da estrutura capilar. Técnicas de espectroscopia, avaliação de perda proteica e quantificação de triptofano são utilizadas para examinar a haste sob uma perspectiva estrutural. Além disso, a avaliação de cor e brilho, análises termogravimétricas, e medições de resistência mecânica (como tração), penteabilidade e elasticidade são usadas para investigar as propriedades físicas da fibra capilar.

Provas diagnósticas

A queda excessiva de cabelo pode ser identificada pela contagem diária dos fios perdidos, que podem ser analisados ao microscópio para verificar o diâmetro e possíveis danos à fibra. O TUG Test, um teste simples de tração dos fios, avalia a fragilidade capilar, indicando quebras e anomalias na haste. A taxa de crescimento dos fios pode ser verificada por meio de uma pequena raspagem no couro cabeludo, criando uma "janela de crescimento". Em uma semana, espera-se um crescimento de 0,3 cm, variando entre etnias.

A dermatoscopia do couro cabeludo, uma técnica não invasiva, tem sido amplamente utilizada para diagnosticar várias condições, incluindo pediculose, anomalias capilares e alopecias. Com aumento de até 300x, ela é eficaz para analisar fraturas e desordens da haste, como a tricorrexe nodosa. Além disso, o tricograma pode avaliar a proporção de fios velos e terminais, sendo útil no acompanhamento terapêutico.

Recentemente, o teste rápido de perda proteica foi introduzido, permitindo a quantificação de proteínas extraídas do cabelo em 25 minutos, facilitando um diagnóstico mais preciso e orientando tratamentos específicos. Essas avaliações podem ser complementadas por exames histopatológicos e biópsias do couro cabeludo, fornecendo uma visão abrangente da saúde capilar do paciente.

Propriedades físicas e mecânicas

A resistência mecânica da fibra capilar é avaliada por métodos que consideram suas propriedades elásticas e plásticas, aplicando tensão. Inicialmente, a fibra pode se estender até 2% de seu comprimento original na fase elástica. Com o aumento da carga, a fase plástica começa, permitindo que o cabelo se estique entre 25% e 30% antes de se romper.

Atualmente, novas tecnologias têm se destacado na área dermatológica, complementando a avaliação e o diagnóstico da saúde dos fios, permitindo a melhor compreensão dos distúrbios e danos da haste capilar, direcionando a tratamentos mais específicos e eficazes.