| Introdução |
A falta de proteção solar adequada pode trazer sérias consequências devido aos efeitos nocivos da radiação ultravioleta. Por isso, o uso regular de protetor solar é essencial para minimizar esses riscos. Os protetores solares são testados in vivo para determinar o Fator de Proteção Solar (FPS), geralmente seguindo o padrão de aplicação de 2mg/cm² de pele. Para garantir essa proteção, é crucial aplicar a quantidade correta de maneira uniforme. Aplicações inadequadas resultam em um FPS real menor, proporcionando uma falsa sensação de segurança.
Nesse contexto, Cruz e colaboradores (2024) realizaram uma avaliação quantitativa da qualidade do método de aplicação de fotoprotetores faciais. O estudo também relacionou esses métodos com características da população estudada, visando melhorar a educação sobre a importância da aplicação correta do protetor solar.
| Métodos |
Este estudo, realizado em 2023, foi conduzido com 177 voluntários, com idades entre 18 e 64 anos, dos quais 115 eram mulheres (64,97%) e 62 homens (35,03%). Os participantes foram instruídos a aplicar um protetor solar comercial com FPS 70 na quantidade e da maneira que costumam utilizar. Em seguida, os pesquisadores tiraram uma fotografia UV do rosto de cada voluntário, utilizando um dispositivo especial que combina uma câmera UV com luz UVA integrada, garantindo uma iluminação padronizada para a cobertura do protetor solar (UV LOOK, Youcai Technology Co). Por seguinte, foi realizado um estudo sobre os hábitos de exposição solar e cuidados com fotoproteção dos participantes.
| Resultados |
Após a análise dos resultados, foram observados alguns cenários distintos. As mulheres apresentaram uma superfície de aplicação média de 92,90±15,59%, enquanto os homens atingiram 79,50±32,65%. Esses valores foram estatisticamente significativos (teste t não pareado, p <0,05). Prevê-se que, até 2040, os homens terão 26% mais casos de melanoma e uma mortalidade 36% superior em comparação às mulheres. Além disso, um estudo com 705 homens revelou que 83% deles não usavam protetor solar diariamente e apenas 38% relataram usar o produto semanalmente. Esse menor cuidado por parte dos homens também foi observado no presente estudo.
Adicionalmente, os participantes foram classificados de acordo com a cor da pele autodeclarada, bem como, foi observado uma maior área de superfície de cobertura de protetor solar em pessoas de pele branca e parda.
| Considerações finais |
O estudo, portanto, concluiu que a população avaliada possui informações adequadas sobre a aplicação correta do protetor solar, evidenciado pelo alto percentual de superfície coberta. Entre os parâmetros analisados (gênero, idade e cor da pele), apenas o gênero foi significativo, com as mulheres apresentando maior superfície coberta pelo protetor solar. No entanto, a duração média dos produtos e a falta de reaplicação continuam a impactar negativamente a qualidade da proteção ao longo do período de exposição. Isso demonstrou que saber aplicar o protetor solar não é suficiente para garantir uma proteção eficaz.
Por fim, é essencial que esses dados científicos sejam divulgados à população por meio de campanhas educativas sobre o uso correto dos fotoprotetores, direcionadas a diferentes segmentos da sociedade.