Pesquisadores da Universidade Monash descobriram novas informações sobre a função de proteínas e colesterol na dieta e como esses nutrientes podem implicar no envelhecimento. É sabido há quase um século que restrições dietéticas moderadas podem aumentar a longevidade de diversos tipos de animais - mas até então, não se sabia o motivo.
Através de modificações dietéticas em moscas, pesquisadores da Escola de Ciências Biológicas da Universidade Monash concluíram que o consumo de proteínas é essencial, mas não pelos motivos que já se acreditavam, e sim porque elas possuem a capacidade de modificar a disponibilidade de outro nutriente essencial para manter a integridade do corpo: o colesterol.
"Historicamente, os principais componentes da dieta, como proteínas, carboidratos e gorduras, têm sido o foco de atenção em estudos de envelhecimento", disse a autora principal do estudo, Brooke Zanco. “Isso ocorre porque as dietas de baixa proteína consistentemente estendem a vida útil de uma ampla gama de animais. Agora mostramos que o problema não é a proteína, mas a deficiência de um micronutriente."
- Mas quais são os componentes mais importantes? E qual é o equilíbrio correto?
Nos últimos 15 anos, as proteínas foram as protagonistas das análises científicas – com evidências apontando para que animais vivam mais caso comam menos proteínas. A exemplo, quando as moscas comem dietas altamente proteicas, se observa o comprometimento de nutrientes essenciais para a reprodução das mesmas, como o colesterol, em detrimento da manutenção do próprio corpo, encurtando assim as próprias vidas.
"Até agora, pensávamos que dietas com baixa proteína aumentavam a expectativa de vida dos animais, reduzindo a reprodução", disse o co-autor do estudo, Dr. Matthew Piper. "No entanto, a reprodução em si não é o problema", disse ele. “Em vez disso, descobrimos que o aumento da proteína dietética resulta em aumento da reprodução e isso esgota a mãe dos principais estoques de micronutrientes a uma taxa mais rápida do que eles podem ser repostos. É esse esgotamento secundário do colesterol micronutriente que encurta sua vida útil."
A equipe, então, descobriu que a vida das moscas poderia ser estendida caso elas fossem alimentadas com micronutrientes ou medicamentos para suprimir a reprodução.
"Os seres humanos jejuam de forma intermitente ou restringem a ingestão de calorias na esperança de viver uma vida mais longa e saudável", disse o Dr. Piper.
"Nosso estudo mostra que talvez as pessoas não precisem comer menos para viver vidas mais longas e saudáveis, mas sim consumir uma dieta que é modificada para ser corretamente balanceada."
Mais evidências serão necessárias para confirmar se essas trocas nutriente-dependentes ocorrem em outros animais com dietas altamente proteicas. No momento, a equipe da Dra. Zanco investiga como a redução do colesterol na dieta pode impactar a longevidade.
More information: Brooke Zanco et al. A dietary sterol trade-off determines lifespan responses to dietary restriction in Drosophila melanogaster females, eLife (2021). DOI: 10.7554/eLife.62335
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