As estatinas são os fármacos mais usados para tratamento das hiperlipidemias em prevenção primária e secundária, com o propósito de diminuir os níveis de lipoproteínas plasmáticas ricas em colesterol e reduzir os riscos de doença arterial coronariana (DAC). Estes efeitos são resultantes da atividade inibidora sobre a enzima hidroximetilglutaril-CoA redutase (HMG-CoA redutase), com a propriedade de bloquear a conversão do substrato HMG-CoA em ácido mevalônico, inibindo os primeiros passos da biossíntese de colesterol.
A Rosuvastatina e a atorvastatina são as duas estatinas mais potentes, e, frequentemente, são consideradas intercambiáveis. Para comparar essas medicações de forma mais aprofundada, pesquisadores analisaram dois grandes bancos de dados da China e do Reino Unido. Aproximadamente 134.000 pacientes do primeiro e 6.000 do segundo iniciaram essas medicações e foram pareados por escore de propensão dentro de suas respectivas coortes. A mediana de idade dos participantes foi de 64 anos, aproximadamente 54% eram homens, e o LDL-colesterol basal mediano foi de 108 mg/dL no CRDS e 148 mg/dL no UK Biobank.
Os pacientes que utilizaram rosuvastatina apresentaram uma mortalidade por todas as causas significativamente menor em seis anos do que aqueles que usaram atorvastatina em ambos os bancos de dados. No entanto, a diferença entre os dois medicamentos alcançou significância apenas para o uso em doses moderadas. Além disso, a diferença na mortalidade foi evidente para prevenção secundária, mas não para prevenção primária.
As taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores por 100 pessoas-ano foram de 2,20 e 2,48 com rosuvastatina e atorvastatina, respectivamente, no banco chinês, e de 0,82 e 1,14 no UK Biobank. Esses números traduzem-se em reduções relativas de 11% e 29% nesse risco a favor da rosuvastatina.
Os desfechos hepáticos adversos maiores foram significativamente reduzidos com a rosuvastatina, no entanto, não houve diferença significativa no risco de desenvolvimento de doença renal crônica. Os efeitos colaterais relacionados às estatinas não diferiram entre os tratamentos em nenhum dos bancos de dados.
Em conclusão, o estudo sugeriu pequenas diferenças nos desfechos entre a atorvastatina e a rosuvastatina. No entanto, é importante ressaltar que devido às inconsistências entre os dois bancos de dados, às variações na intensidade da dose e às diferenças entre prevenção primária e secundária, a interpretação e aplicação desses resultados não é simples.