A osteoporose pós-menopausa representa um importante problema de saúde pública, estando associada a maior risco de fraturas por fragilidade, que aumentam os índices de morbidade e mortalidade. O seu diagnóstico baseia-se na ocorrência de fraturas osteoporóticas ou em baixa densidade mineral óssea (DMO).
Embora a farmacoterapia seja o tratamento de primeira linha, a atividade física (AF) é amplamente recomendada como estratégia complementar no manejo da doença. No entanto, apesar de estudos indicarem evidências de associação positiva entre AF e DMO, ainda não há consenso quanto à prescrição ideal de exercícios em termos de intensidade e volume para populações de alto risco, como mulheres pós-menopausa.
Nesse contexto, o artigo de Wang e colaboradores (2026) investigou a relação entre atividade física e DMO total da coluna vertebral em mulheres pós-menopausa, com o objetivo de identificar padrões de exercício mais eficazes para otimizar a saúde óssea.
O estudo foi baseado em dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), coletados entre 2007 e 2018, que incluiu 9.339 mulheres na pós-menopausa. A principal variável de exposição, o Physical Activity Metabolic Equivalent of Task (PA-MET)-hours/week, foi calculada para quantificar o gasto energético semanal associado à atividade física. Essa medida é uma métrica que quantifica o gasto energético semanal total da atividade física, sendo calculada pela soma do produto entre a intensidade metabólica de cada tarefa realizada (valor MET) e a quantidade de horas semanais dedicadas a ela. As participantes relataram o tempo médio gasto em cinco domínios: atividades laborais vigorosas e moderadas, transporte (caminhada ou ciclismo) e atividades de lazer vigorosas e moderadas. Seguindo as diretrizes do NHANES, foram atribuídos valores de 8.0 METs para atividades vigorosas e 4.0 METs para atividades moderadas e de transporte.
A DMO lombar total, mensurada por absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA), foi o desfecho de interesse. As análises estatísticas foram ajustadas para potenciais fatores de confusão demográficos, antropométricos e bioquímicos, e incluíram modelos lineares, análises por tercis de atividade física e avaliação de efeito limiar, além de análises estratificadas por idade e índice de massa corporal (IMC).
Os autores observaram uma associação positiva entre atividade física total, mensurado em PA-MET-hours/week, e a DMO lombar. Mulheres nos tercis mais elevados de atividade física apresentaram maior DMO em comparação ao tercil mais baixo, tanto nos modelos não ajustados quanto nos totalmente ajustados.
A análise de efeito limiar, considerando a amostra global, demonstrou uma relação não linear, com benefício significativo da atividade física até aproximadamente 32 MET‑horas/semana, acima do qual a associação com DMO lombar deixou de ser estatisticamente significativa, sugerindo um platô populacional médio.
Nas análises por subgrupos, essa associação foi mais pronunciada em mulheres mais jovens (<45 anos) e naquelas com IMC <25 kg/m² (peso normal). Nesses estratos, o ponto de inflexão ocorreu em volumes mais elevados de atividade física, 54 e 128 MET‑horas/semana respectivamente, indicando que o limiar de benefício varia conforme idade e composição corporal.
Em resumo, o estudo identificou associação positiva entre atividade física total semanal e DMO lombar em mulheres na pós-menopausa, com relação não linear e efeito de platô, cujo limiar varia conforme idade e IMC. Esses dados reforçaram a necessidade de individualização das recomendações de atividade física, destacando que volumes progressivamente maiores nem sempre se traduzem em ganhos adicionais de DMO, e que a atividade física cotidiana, em seus diversos domínios, permanece determinante para a saúde óssea nessa população.