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/ Publicado el 11 de febrero de 2025

Eixo intestino-osso

Associação entre microbiota intestinal e osteoartrite

Uma revisão de evidências para mecanismos e terapêuticas potenciais

A osteoartrite (OA) é uma doença complexa e multifatorial, sendo caracterizada por danos progressivos na cartilagem articular. Essa degradação causa sintomas como dor, restrição de movimentos articulares e, em casos graves, até incapacidade. Recentemente, pesquisas relevaram uma relação significativa entre a microbiota intestinal e a OA. Os microrganismos que a compõem desempenham papéis cruciais na absorção de nutrientes, manutenção da homeostase metabólica, desenvolvimento e maturação do sistema imunológico, resistência a infecções, proteção contrarrespostas imunológicas exacerbadas e produção de neurotransmissores, impactando significativamente a saúde geral.

Estudos indicaram que a modulação da microbiota intestinal, como pelo uso de probióticos, pode reverter os efeitos de uma dieta rica em gorduras sobre a OA, sugerindo uma influência direta da microbiota na progressão da condição. Por isso, Wei e colaboradores (2022) exploraram os mecanismos pelos quais a microbiota intestinal pode influenciar a progressão da OA, lançando luz sobre possíveis caminhos para futuras intervenções.

Eixo intestino-osso no desenvolvimento da OA por meio do sistema imunológico

Evidências crescentes indicaram que a microbiota intestinal pode influenciar a progressão da OA ao interagir e modular o sistema imunológico do corpo. Essas interações podem ocorrer, por exemplo:

·  A disbiose e a permeabilidade intestinal contribuem para inflamação sistêmica, podendo acelerar a osteoartrite;

·  A microbiota intestinal ativa o sistema imune inato, influenciando citocinas pró-inflamatórias que afetam articulações;

·  A disbiose afeta o equilíbrio de células T, contribuindo para inflamação articular crônica;

·  Subprodutos microbianos, como butirato e ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs), fortalecem a barreira intestinal e promovem a imunidade da mucosa;

·  Probióticos como Lactobacillus rhamnosus GG ajudam a restaurar a barreira e prevenir perda óssea.

Eixo intestino-osso no desenvolvimento da OA por meio do metabolismo

Sabe-se que os fatores de risco para OA incluem envelhecimento, dieta e obesidade, todos intimamente ligados ao metabolismo corporal. A microbiota intestinal, por sua vez, pode ser considerada um "órgão endócrino independente," desempenhando papel essencial na manutenção da homeostase energética e na estimulação da imunidade do hospedeiro por meio de interações moleculares diretas. Essas também implicam a microbiota na patogênese da obesidade e de doenças metabólicas, uma vez que ela pode desencadear resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e acúmulo excessivo de lipídios. Com base nessas evidências, é provável que a microbiota intestinal contribua para o desenvolvimento da OA, ao influenciar e interagir com o metabolismo corporal.

Eixo microbioma-intestino-cérebro e o desenvolvimento de OA

O eixo intestino-cérebro tem sido associado à iniciação e progressão de diversas doenças, incluindo a osteoartrite. Evidências recentes indicaram que o SNC influencia a dor e a progressão da OA. Componentes adicionais, como o eixo hipotálamo-hipófise e núcleos hipotalâmicos, estabeleceram circuitos de feedback entre o intestino (microbiota intestinal), articulações e metabolismo celular, com desregulação desses sistemas estando ligada à progressão da osteoartrite. Além disso, ácidos graxos de cadeia curta também desempenham papel na regulação da dor relacionada à OA, influenciando a ativação da microglia e sensibilização à dor no nível central. Coletivamente, o eixo microbioma-intestino-cérebro emerge como uma via promissora na doença articular, e restaurar o equilíbrio desse eixo, focando na microbiota intestinal, pode beneficiar o tratamento e a progressão da doença.

Modulação da microbiota intestinal

> Probióticos e prebióticos

Probióticos e prebióticos são alimentos seguros e eficazes para a modulação da microbiota intestinal, promovendo o crescimento de bactérias benéficas. Estudos mostraram que cepas como Bifidobacterium longum e Lactobacillus rhamnosus ajudam na preservação da cartilagem e reduzem a inflamação articular, sugerindo um potencial terapêutico na OA. Outros estudos destacaram que prebióticos, como a oligofrutose, reverteram os danos articulares e a inflamação em modelos animais com OA.

> Dietas e nutracêuticos

A dieta é um fator crítico para a saúde da microbiota. Nutrientes como L-glutamina e resveratrol têm mostrado influenciar positivamente a microbiota, o sistema imunológico e a saúde das articulações em modelos experimentais. Nutracêuticos como sulfato de condroitina e Pycnogenol, derivados de fontes naturais, exibem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, promovendo alívio dos sintomas da OA e proteção da cartilagem.

> Transplante de Microbiota Fecal

O TMF consiste em transferir microbiota de fezes de um doador saudável para o intestino do receptor e já foi bem-sucedido no tratamento de várias doenças. Um estudo mostrou que a microbiota intestinal de diferentes indivíduos poderia influenciar a progressão da OA em modelos animais, sugerindo que o TMF pode ter potencial como tratamento para OA. Contudo, mais pesquisas são necessárias para validar essa terapia para OA, além de resolver desafios práticos como triagem de doadores e padronização do tratamento.


A osteoartrite é uma doença complexa e debilitante com alta incidência global, tornando essencial a compreensão aprofundada de seus mecanismos de patogênese para desenvolver novas estratégias de prevenção e tratamento. Esta revisão abordou o papel da microbiota intestinal na progressão da OA e o potencial terapêutico de sua modulação. Embora haja avanços, estudos mais sistemáticos são necessários para esclarecer melhor as vias e mecanismos específicos envolvidos.