| Introdução |
A depressão é uma das principais causas de morbidade e incapacidade global, impactando significativamente na qualidade de vida e contribuindo para a morte prematura, seja por comorbidades associadas ou suicídio. A sua prevenção exige abordagens eficazes, e o exercício tem sido amplamente reconhecido como um fator protetor. Uma metanálise demonstrou que indivíduos com níveis mais elevados de atividade física apresentaram em torno de 17% menos chances de desenvolver depressão em comparação com aqueles menos ativos.
Diante desse cenário, Pearce e colaboradores (2022) investigaram a associação dose-resposta entre atividade física e depressão e estimaram o impacto populacional da prática regular de atividade física na prevenção da depressão.
| Métodos |
Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e metanálise de estudos de coorte prospectivos, incluindo pesquisas com amostras mínimas de 3.000 adultos, três ou mais anos de acompanhamento e avaliação da atividade física em pelo menos três níveis de exposição.
O desfecho primário foi a depressão, definida de duas formas: (1) transtorno depressivo maior confirmado por autorrelato de diagnóstico médico, registros clínicos ou entrevistas diagnósticas e (2) sintomas depressivos elevados, determinados por pontos de corte validados em instrumentos de triagem para depressão.
| Resultados |
Foram analisados 15 estudos com um total de 191.130 participantes. A relação entre exercício e depressão apresentou uma associação dose-resposta curvilínea inversa, sendo que os maiores benefícios foram observados em volumes mais baixos de atividade física. A heterogeneidade foi significativa entre os estudos. Quando comparados aos adultos sedentários, aqueles que atingiram metade do volume recomendado de atividade física (4,4 horas de tarefa equivalente metabólica marginal por semana [mMET-h/semana]) tiveram um risco 18% menor de desenvolver depressão. Já aqueles que atingiram o volume total recomendado (8,8 mMET-h/semana) apresentaram um risco 25% menor.
Entretanto, os benefícios se tornaram menos evidentes em volumes superiores a esse patamar, com maior incerteza estatística quanto à relação entre doses muito elevadas de atividade física e redução adicional do risco. Estima-se que, se adultos menos ativos adotassem os níveis recomendados de atividade física, 11,5% dos casos de depressão poderiam ser prevenidos.
| Conclusão |
Os achados de Pearce e colaboradores (2022) reforçaram que a atividade física tem um papel essencial na prevenção da depressão, com benefícios significativos observados mesmo em níveis abaixo das recomendações de saúde pública. Essa evidência fortaleceu a importância de estratégias que incentivem a prática regular de exercícios, especialmente em populações vulneráveis à depressão, como forma de promoção da saúde mental e redução do impacto da doença na sociedade.