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/ Publicado el 27 de septiembre de 2023

Lacuna a ser explorada

Associação entre a frequência dos sintomas vaso motores e o ganho de peso

O aumento da frequência dos sintomas foi associado ao subsequente aumento do peso, do índice de massa corporal e da circunferência da cintura

Introdução

A transição da menopausa foi associada a ganho de peso, no entanto, outros fatores como idade, redução da atividade física e alterações hormonais não são totalmente compreendidos. Essas alterações no índice de massa corporal (IMC) foram relacionadas à presença de sintomas, incluindo sintomas vasomotores (SVM), como ondas de calor e sudorese noturna.

Para solucionar essa lacuna, Gibson e colaboradores (2023), através dos dados do Study of Women's Health Across the Nation (SWAN), examinaram se a frequência dos SVM estava associada ao ganho de peso em mulheres de meia-idade, levando em consideração os problemas concomitantes de sono e status da menopausa. Além disso, exploraram até que ponto a exposição cumulativa aos sintomas estava associada ao ganho de peso a longo prazo.

Métodos

Foi realizada uma análise retrospectiva longitudinal que incluiu dados do Estudo multiétnico e multicêntrico da Saúde da Mulher dos Estados Unidos. Mulheres na pré-menopausa ou perimenopausa com idade entre 42 e 52 anos no início do estudo relataram frequência dos SVM (ondas de calor/suores noturnos) e qualidade do sono em pacientes com no mínimo 10 consultas de seguimento entre 1995-2008. O status da menopausa, peso, índice de massa corporal e circunferência da cintura foram comparados entre as visitas. O objetivo principal foi medir a associação entre frequência dos SVM e ganho de peso. Os secundários foram quantificar se as mudanças na qualidade do sono e a frequência dos SVM influenciam no ganho de peso.

Resultados

A amostra de análise primária incluiu 2.361 participantes, com 12.030 visitas ao consultório. A idade média foi de 51 (3,7) anos. Cerca de metade (47,5%) se autodeclararam como brancas/não hispânicas, e o restante (52,5%) se autodeclararam como negras/afro-americanas, nipo-americanas, chinesas/chinos-americanas ou hispânicas. As participantes estavam na perimenopausa tardia ou pós-menopausa durante 45,5% das consultas e na pré-menopausa ou perimenopausa precoce em 54,4% das consultas. Na segunda visita de acompanhamento, apenas 13,3% estavam na menopausa tardia, enquanto na última visita, a maioria (89,7%) estava nessa condição.

Os sintomas vasomotores foram predominantes. No total, 62,2% das participantes relatarem ter perlo menos 1 episódio de SVM em qualquer uma das duas visitas anteriores. Além disso, em 59,7% das consultas, as participantes não relataram nenhuma alteração em relação à visita anterior no número de dias com sintomas. O início de novos SVM foi relatado em 13,5% dos serviços médicos.

O aumento da frequência dos SVM entre as consultas foi associado ao subsequente aumento do peso (0,24 kg), do índice de massa corporal (0,08 kg/m2) e da circunferência da cintura (0,20 cm). A alta frequência de SVM (≥6 dias/2 semanas) durante 10 visitas anuais consecutivas foi associada ganho de peso, incluindo um aumento de 3,0 cm na circunferência da cintura.

Ademais, 20% a 27% das participantes relataram que o desconforto causado por SVM levou a distúrbios do sono. Devido a associação bem estabelecida, os autores relataram a má qualidade do sono poderia ser um efeito mediador dos problemas associados aos SVM e o ganho de peso.

As associações encontradas entre SVM e ganho de peso sugeriram a necessidade de aconselhamento adequado sobre os riscos à saúde, bem como possíveis intervenções para perda de peso. Por exemplo, iniciativas educativas antes da transição para a menopausa podem ser úteis. Incentivar as pacientes a irem em nutricionistas com objetivo de procurarem dietas específicas e a realizarem atividades físicas para mitigar o ganho de peso. O apoio psicológico para identificar potenciais obstáculos à perda de peso e desenvolver estratégias para ajudar a reduzir e manter o IMC ideal. Outras intervenções podem ser prescritas, uma vez que o ganho de peso muitas vezes apresenta riscos indevidos. A descoberta de que a exposição cumulativa ao SVM está associada ao aumento da circunferência da cintura é especialmente preocupante porque a obesidade está relacionada ao aumento dos riscos à saúde, independentemente do IMC.

Conclusão

O estudo demonstrou que o aumento dos sintomas vasomotores e a sua exposição cumulativa ao longo do tempo podem estar independentemente associados ao ganho de peso e ao aumento da circunferência da cintura entre mulheres. No entanto, ainda faltam estudos que elucidem os mecanismos que fundamentam esta relação e contribuam com informações que podem ajudar a melhorar o aconselhamento adequado e potenciais intervenções para mulheres com SVM.