Resumo:
Importância:
Os contraceptivos orais têm sido associados a um risco aumentado de depressão clínica subsequente em adolescentes. Entretanto, a associação do uso de contraceptivos orais com sintomas depressivos concomitantes permanece incerta.
Objetivos:
Investigar a associação entre uso de contraceptivos orais e sintomas depressivos e examinar se essa associação é afetada pela idade, e quais sintomas específicos estão associados ao uso de contraceptivos orais.
Projeto, procedimentos e participantes:
Foram usados dados da terceira à sexta onda do estudo de coorte prospectivo “Pesquisa sobre rastreamento de vidas individuais de adolescentes (TRAILS)”, que foi realizada de 1 de setembro de 2005 a 31 de dezembro de 2016, entre mulheres de 16 a 25 anos que cumpriram pelo menos 1 a 4 avaliações do uso de contraceptivos orais. A análise dos dados foi realizada de 1 de março de 2017 a 31 de maio de 2019.
Exposição: Contraceptivos orais usados aos 16, 19, 22 e 25 anos de idade.
Principais desfechos e medidas: Os sintomas depressivos foram avaliados pela escala de transtorno de afetividade, baseada no DSM-IV, da Juventude (16 anos) e do Auto-relato de Adultos (19, 22 e 25 anos).
Resultados:
Dados de um total de 1010 meninas (743-903 meninas, dependendo da onda) foram analisados (idade média [DP] na primeira avaliação do uso de contraceptivo oral, 16,3 [0,7]; idade média [DP] na avaliação final uso de contraceptivos orais, 25,6 [0,6] anos). As usuárias de contraceptivos orais diferiram particularmente das não usuárias aos 16 anos, com as não usuárias tendo um nível socioeconômico médio mais alto (DP) (0,17 [0,78] vs –0,15 [0,71]) e mais frequentemente virgens (424 de 533 [79,5%] vs 74 de 303 [24,4%]). Embora todas as usuárias combinadas (idade média [DP], 16,3 [0,7] a 25,6 [0,6] anos) não tenham apresentado escores mais altos de sintomas depressivos em comparação com as não usuárias, as usuárias adolescentes (idade média [DP], 16,5 [0,7] anos) relataram maior escores de sintomas depressivos em comparação com as não-usuárias (idade média [DP], 16,1 [0,6] anos) (pontuação média [DP], 0,40 [0,30] vs 0,33 [0,30]), que persistiram após o ajuste para idade, status socioeconômico e etnia (coeficiente β para interação com a idade, -0,021; IC 95%, -0,038 a -0,005; P = 0,0096). As adolescentes usuárias de contraceptivos relataram particularmente mais choro (razão de possibilidade, 1,89; IC 95%, 1,38-2,58; P <0,001), hipersonia (razão de possibilidade, 1,68; IC 95%, 1,14-2,48; P = 0,006) e mais problemas alimentares (razão de possibilidade, 1,54; IC 95%, 1,13-2,10; P = 0,009) do que as não usuárias.
Conclusões e relevância:
Embora o uso de contraceptivo oral não tenha mostrado associação com sintomas depressivos quando todos os grupos etários foram combinados, meninas de 16 anos reportaram escores mais altos de sintomas depressivos ao usar contraceptivos orais. O monitoramento dos sintomas depressivos em adolescentes que estão usando contraceptivos orais é importante, visto que o uso de contraceptivos orais pode afetar sua qualidade de vida e colocá-las em risco de não adesão.