A estrogenização vaginal desempenha um papel crucial no alívio da dor durante a atividade sexual ao restaurar o trofismo da mucosa e aumentar a lubrificação. Esse efeito pode ser obtido por meio da terapia vaginal com estrogênio em baixa dose, que atua predominantemente de forma local, geralmente sem aumento dos níveis sistêmicos de estrogênio após o uso.
Nesse contexto, o estudo de de Paula e colaboradores (2025) comparou os efeitos do estriol aplicado nos terços distal ou proximal da vagina sobre a dispareunia em mulheres pós-menopáusicas, avaliou os níveis séricos de estriol e a função sexual.
O ensaio clínico incluiu 116 mulheres pós-menopáusicas sexualmente ativas com dispareunia que foram randomizadas para receber estriol vaginal (1,0 mg/aplicação, dia sim, dia não) por 12 semanas no grupo proximal estriol (PEG) ou grupo distal estriol (DEG), ou um gel lubrificante vaginal (VLG) antes da relação sexual. Os níveis plasmáticos de estriol, dor coital (McGill Pain Questionnaire), função sexual (FSFI) e estado emocional (HADS) foram avaliados no início e após 12 semanas.
Nenhuma mudança significativa nos níveis séricos de estriol foi observada em nenhum grupo após a intervenção. PEG e DEG apresentaram aumentos significativos nas pontuações totais do FSFI e em todos os domínios. O grupo VLG apresentou melhorias nos escores totais do FSFI e nos domínios de desejo, excitação, lubrificação, satisfação e dor.
A análise intergrupo revelou que o grupo PEG apresentou melhora significativamente maior no domínio da lubrificação em comparação com a DEG e VLG. Todos os outros domínios não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Em resumo, o estriol vaginal, aplicado distal ou proximal, melhorou a dispareunia e a função sexual sem aumentar os níveis sistêmicos de estriol. Além disso, o uso de lubrificante também melhorou a função sexual (exceto o orgasmo) e reduziu a dor de forma comparável ao estriol.
Fonte: The use of vaginal estriol and its effects on... : Menopause