
| Antecedentes |
Atualmente não existem vacinas autorizadas para proteger contra malária por Plasmodium falciparum. Buscou-se artigos de investigação com base nos dados do PubMed utilizando as terminações “vacina contra malária”, “ensaio clínico”, “fase III” e “eficácia”. A busca foi realizada desde o início da base até dia 23 de março de 2021. Não foi aplicado restrições de idioma. A busca identificou um grande ensaio clínico de fase III publicado que descreve um candidato a vacina contra a malária pré-eitrocítica, RTS,S/AS01 (Mosquirix®), realizado em 11 centros de estudos em 7 países da África. Esta vacina candidata aprogrediu para testes de implementação piloto após mostrar uma eficácia de 36,6% após a quarta dose, durante um acompanhamento médio de 48 meses. A eficácia de 55,8% em crianças de 5 a 71 meses foram observadas no primeiro ano.
Devido à alta carga e ampla distribuição geográfica do Plasmodium falciparum, na atualização mais recente do Malaria Vaccine Technology Roadmap, a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou o desenvolvimento de vacinas candidatas contra a malária com uma eficácia protetora de pelo menos 75 % contra a malária clínica até 2030.
| Métodos |
Realizou-se um estudo de fase II duplo cego, randomizado e controlado de uma vacina à base de proteína circunsporozoíta de baixa dose, R21, com duas doses diferentes de adjuvante, Matrix-M ™ (MM), em crianças de 5 a 17 meses em Nanoro, Burkina Faso, um ambiente sazonal de alta transmissão da malária.
Administrou-se 3 vacinas em intervalos de 4 semanas antes da temporada de malária com uma quarta dose um ano depois.
Avaliou-se a segurança, a imunogenicidade e a eficácia da vacina durante um ano.
| Resultados |
450 crianças foram distribuídas aleatoriamente para receber a vacina R21/MM ou uma vacina de controle (vacina contra a raiva). R21/MM teve um perfil de segurança favorável e foi bem tolerado.
Em seis meses, 43/146 (29,5%) que receberam a R21/MM com adjuvante de baixa dose, 38/146 (26%) que receberam R21/MM com adjuvante de ala dose e 105/147 (71,4%) que receberam a vacina contra raiva desenvolveram malária clínica.
A eficácia da vacina (EV) foi de 74% (IC de 95%; 63-82%) e de 77% (IC de 95%; 67-84%) nos grupos adjuvantes de doses baixas e altas, respectivamente. No final de um ano, a eficácia se manteve em 77% (IC de 95%; 67-84%) no grupo de adjuvante de alta dose.
Os participantes vacinados com R21/MM mostraram altos títulos de anticorpos anti-NANP específicos a malária 28 dias após a terceira vacinação, que quase duplicaram com a dose adjuvante mais alta.
Os títulos diminuíram, porém, houve um aumento dos níveis semelhantes aos títulos máximos após a quarta dose administrada em um ano depois.
Estimações de Kaplan Meier do tempo transcorrido até o primeiro episódio de malária clínica. O gráfico A mostra dados de 14 dias a 6 meses após a terceira vacinação. O gráfico 2 mostra dados de 12 dias a 12 meses após a terceira vacinação. O grupo 1 recebeu 5μg de R21/ 25μg de MM, o grupo 2 recebeu 5μg de R21/ 50μg de MM e o grupo 3 recebeu vacina contra a raiva.
| Valor agregado do estudo |
O estudo demonstra uma eficácia de alto nível alcançando o objetivo de eficácia especificada pela OMS de ≥75% em uma população.
Além disso, R21/MM demonstra um perfil de segurança favorável: é bem tolerada, a maioria dos eventos adversos locais e sistémicos são classificados como leve, e sem eventos adversos grandes relacionados a vacinação. Atualmente, o ensaio de fase II continua para a segunda temporada de malária, depois da vacina de reforço, para determinar se é possível manter a alta eficácia da vacina.
| Implicações de todas as evidências disponíveis |
Os achados iniciais da vacina R21/MM parecem melhorar a eficácia em crianças em comparação com as outras vacinas contra malária. Esses dados respaldam uma avaliação mais aprofundada desta vacina candidata à malária em um ensaio de fase III que abrangerá diferentes ambientes de transmissão da malária, coadministração de quimioprevenção sazonal da malária (SMC) e abrangerá uma faixa etária mais ampla, com alta incidência de malária.
Uma vantagem adicional importante da nova vacina candidata R21/MM contra a malária é seu potencial para fabricação em larga escala e fornecimento de baixo custo, para apoiar os esforços globais para controlar melhor, eliminar de forma sustentável e, por fim, erradicar a malária.
Registro do ensaio: ClinicalTrials.gov número: NCT03896724.
Fincanciamento: Financiamento: Associação Europeia e dos Países em Desenvolvimento para Ensaios Clínicos (EDCTP), The Wellcome Trust e Oxford NIHR Centre for Biomedical Research.