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/ Publicado el 25 de marzo de 2026

Relação cintura-estatura

Adiposidade central como novo alvo clínico para diabetes juvenil

Enquanto o IMC perdeu relevância em modelos multivariados, a adiposidade central emergiu como o preditor independente mais forte, com chances 146 vezes maiores de associação com pré-diabetes/DM2.

Autor/a: OSEI, Eric Peprah.

Fuente: PLOS Global Public Health, v. 6, n. 2, e0005596, 25 fev. 2026. Prevalence and predictors of prediabetes/type 2 diabetes mellitus among adolescents in the United States: NHANES (2021–2023)

Nas últimas duas décadas, houve um aumento dramático na prevalência do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) entre adolescentes nos Estados Unidos, um fenômeno impulsionado principalmente pela obesidade, pelo sedentarismo e por padrões alimentares inadequados. Relatórios indicaram que o DM2 afeta de forma desproporcional jovens de minorias étnicas e raciais, com projeções de que a incidência da doença possa quadruplicar nas próximas quatro décadas. Essa tendência gera grande preocupação clínica, dado que o DM2 de início precoce apresenta um comportamento mais agressivo, caracterizado pela destruição rápida das células beta pancreáticas. Consequentemente, complicações crônicas como doença renal diabética, doenças cardiovasculares, neuropatia e retinopatia manifestam-se mais cedo.

Paralelamente, o pré-diabetes também apresenta crescimento acelerado nessa população. Apesar do aumento da carga da doença, persistem lacunas significativas nos fatores de risco específicos para adolescentes, pois a maioria dos estudos epidemiológicos foca em populações adultas. Além disso, há uma escassez de análises que utilizem dados atualizados do período pós-pandemia de COVID-19 (2021-2023). Diante desse cenário, Osei (2026) estudo utilizou dados recentes do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES)para determinar a prevalência atual e identificar os principais preditores de pré-diabetes e DM2 em adolescentes americanos.

A amostra analítica final foi composta por 1.998 adolescentes, com idades entre 10 e 19 anos, que apresentavam dados completos para medidas antropométricas, glicose plasmática de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c). Para fins de análise, o status glicêmico foi dicotomizado, definindo-se pré-diabetes ou DM2 como a presença de HbA1c ≥ 5,7% ou glicose de jejum ≥ 100 mg/dL, enquanto valores abaixo desses pontos de corte foram classificados como tolerância normal à glicose.

As variáveis independentes investigadas incluíram fatores demográficos, socioeconômicos, indicadores antropométricos e fatores de estilo de vida. Também foram coletados dados dietéticos via recordatório de 24 horas e marcadores bioquímicos clínicos, incluindo perfil lipídico, proteína C-reativa e pressão arterial.

Os resultados revelaram uma prevalência alarmante de pré-diabetes ou diabetes mellitus tipo 2 (DM2) de 30,8% entre os adolescentes dos Estados Unidos. Sendo assim, quase um em cada três jovens do país apresentou alteração na regulação glicêmica. Observou-se uma disparidade marcante entre os sexos, com a condição afetando desproporcionalmente os homens (62%) em comparação às mulheres (38%). Quanto à distribuição racial e étnica, nesta amostra específica, adolescentes brancos não hispânicos apresentaram as maiores taxas de prevalência (37,2%) entre os grupos analisados.

Na análise univariada inicial, diversos fatores foram significativamente associados ao aumento do risco de pré-diabetes/DM2, incluindo o sobrepeso ou obesidade (avaliados pelo IMC), a relação cintura-estatura elevada, consumo diário total de açúcar, níveis baixos de colesterol HDL e valores elevados de pressão arterial sistólica e diastólica. Inversamente, a idade mais avançada (dentro da faixa adolescente) e o sexo feminino foram identificados como fatores associados a menores chances de apresentar a patologia.

O achado mais contundente do estudo surgiu na análise de regressão logística múltipla, onde a adipocidade central, medida pela relação cintura-estatura, emergiu como o preditor independente mais forte para o pré-diabetes/DM2. Adolescentes com relação cintura-estatura elevada apresentaram chances mais de 146 vezes maiores de ter a condição, mesmo após o ajuste por outros fatores. É fundamental notar que o IMC perdeu sua significância estatística no modelo multivariado, reforçando a evidência de que a distribuição central da gordura é um marcador de risco metabólico superior ao peso corporal isolado em pediatria. Adicionalmente, variáveis de estilo de vida como sedentarismo, níveis de atividade física e ingestão calórica total não persistiram como preditores independentes após os ajustes, sugerindo que o impacto desses hábitos nos resultados glicêmicos é mediado, em grande parte, pela própria adiposidade. Sendo assim, os resultados destacaram a necessidade crítica de integrar a medição da circunferência abdominal na avaliação clínica de rotina de adolescentes para uma identificação precoce de riscos.

Em suma, Osei (2026) evidenciou que a adiposidade central, mensurada especificamente pela relação cintura-estatura, atua como um preditor independente e significativamente superior ao IMC na identificação do risco glicêmico em jovens. Esses achados trouxeram implicações diretas para a prática clínica e políticas de saúde, indicando que estratégias de rastreamento fundamentadas exclusivamente no IMC podem falhar em identificar adolescentes de alto risco. Portanto, torna-se imperativa a integração da medida da relação cintura-estatura na avaliação pediátrica de rotina, permitindo uma identificação precoce e a implementação de intervenções direcionadas para reduzir a gordura visceral antes que ocorra a deterioração glicêmica definitiva.