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Publicado el 5 de febrero de 2024

Monitoramento próximo e contínuo

Adesão a medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes em jovens adultos com diabetes tipo 2 iniciado na juventude

O diabetes tipo 2 na juventude está associado ao desenvolvimento precoce de complicações crônicas, no entanto, há uma baixa adesão medicamentosa nesse grupo

Introdução

O diabetes tipo 2 iniciado na juventude está associado ao desenvolvimento precoce de complicações crônicas. No entanto, a baixa adesão aos medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes nesses pacientes é comum, especialmente em idades mais jovens, e está associada ao aumento de eventos cardiovasculares e mortalidade. A maior parte da literatura sobre adesão medicamentosa em diabetes se concentra em adultos de meia-idade e mais velhos.

Por isso, Weinstock e colaboradores (2023) avaliaram a adesão aos medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes em jovens adultos com diabetes tipo 2 iniciado na juventude e diagnósticos de hipertensão, nefropatia ou dislipidemia.

Métodos

O estudo de coorte mensurou a adesão aos medicamentos com contagem de comprimidos não anunciada a cada 3 meses em 2 momentos diferentes, com 1 ano de intervalo, durante o iCount, conduzido nos últimos anos (2017-2019) da fase observacional do estudo Treatment Options for Type 2 Diabetes in Adolescents and Youth. Fatores psicossociais associados à adesão aos medicamentos foram examinados. Foram incluídos indivíduos com diabetes tipo 2 iniciado na juventude com hipertensão, nefropatia ou dislipidemia que recebiam cuidados de saúde em suas comunidades. Os dados foram analisados de setembro de 2022 a setembro de 2023.

O desfecho principal foi a adesão aos medicamentos, sendo considerada baixa quando o uso foi menor que 80% e alta, de pelo menos 80% dos comprimidos. Os fatores psicossociais foram medidos usando o Beliefs about Medicines Questionnaire e o Material Needs Insecurities Survey.

Resultados

Dos 381 participantes, 243 (idade média [DP], 26,12 [2,51] anos; 159 [65,43%] mulheres) com hipertensão, nefropatia ou dislipidemia foram incluídos na análise. Dentre esses, 196 participantes tinham hipertensão ou nefropatia e 146 dislipidemia.

Entre os participantes com hipertensão ou nefropatia, 80,1% apresentaram baixa adesão. Desses, 67,52% não utilizavam nenhum anti-hipertensivo. Esses, em comparação com aqueles com alta adesão, eram mais jovens, tinham hemoglobina A1c glicada mais elevada, menor duração do diabetes e menor nível educacional. Dos 146 com dislipidemia, 93,8% tiveram baixa adesão. Além disso, dentre os 103 participantes com baixa adesão aos anti-hipertensivos e que utilizavam agentes hipoglicemiantes orais, 80,58% tinham baixa adesão.

A crença na necessidade dos medicamentos foi maior para os participantes com alta adesão aos medicamentos anti-hipertensivos. Nas análises multivariadas ajustadas, ter pelo menos uma necessidade social não atendida e preocupações com os fármacos foram associadas a uma pior adesão medicamentosa após 1 ano de acompanhamento. O estresse relacionado ao diabetes, autoeficácia, sintomas depressivos e de ansiedade, e suporte à autogestão não foram associados à adesão medicamentosa de 1 ano.

Conclusão

Os achados sugeriram que a adesão aos medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes foi muito baixa. A implementação de um monitoramento próximo e contínuo para jovens adultos com necessidades sociais não atendidas, visando garantir um fornecimento consistente de fármacos e melhorar a adesão, poderia ser considerada. Compreender todos os fatores que afetam à adesão medicamentosa, incluindo abordar crenças, é necessário para orientar intervenções futuras para melhorar o uso desses fármacos.