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Publicado el 24 de septiembre de 2023

Estudo aprofundado

A relação entre a autoimagem, a pele e o amplo uso de tecnologias de interação social impostas pela pandemia do COVID-19

O reconhecimento desta tendência é fundamental aos médicos dermatologistas

Introdução

A pandemia do coronavírus (COVID-19) teve múltiplos impactos na vida virtual das pessoas, promovendo uma revolução na maneira como nos comunicamos através de novos meios digitais. Como resultado, muitos indivíduos passaram horas olhando para sua própria imagem em vídeo, o que gerou uma possível preocupação com o crescimento da autopercepção negativa de sua aparência.

Alguns aplicativos oferecem filtros e recursos de edição que permitem aos usuários alterarem sua aparência de maneira sutil ou significativa, contribuindo para uma nova tendência de insatisfação com a autoimagem. Essas mudanças na autopercepção podem ter um impacto substancial na autoestima em geral, desencadeando reações emocionais que podem levar as pessoas a procurarem procedimentos estéticos de forma excessiva e irracional. O reconhecimento desse fator é crucial para os dermatologistas, pois a prevalência desse fenômeno pode afetar sua prática profissional.

Métodos

Silva e colaboradores (2022) conduziram uma pesquisa exploratória, de natureza transversal e prospectiva, que envolveu adultos com 18 anos ou mais, totalizando 350 participantes. O estudo utilizou a divulgação online de um formulário eletrônico com o objetivo de avaliar o impacto causado pelo uso de tecnologias de interação pessoal e a autopercepção da imagem do indivíduo durante o período de isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19.

Após a coleta e análise, os resultados foram submetidos a uma análise teórico-reflexiva com base em estudos previamente publicados em bancos de dados indexados, tais como o PubMed e o SciELO.

Resultados

Foram entrevistados 350 participantes, sendo 88,6% do sexo feminino e 11,4% do sexo masculino. Do total de indivíduos, 90% afirmaram ter aumentado o uso de aplicativos durante a pandemia, e 87% também acreditam que a mesma interferiu no relacionamento social.

Além disso, 69,71% dos entrevistados alegaram mudanças na maneira como se veem fisicamente e 58,3% relataram que os aplicativos influenciaram na sua autoimagem. Em ambos os questionamentos, as mulheres entre 18 e 29 foram as que mais responderam positivamente, porém as com 40 anos ou mais negaram a influência desses softwares na autoimagem.

Em relação ao questionamento sobre a importância da pele na autoimagem, 73,9% das mulheres de todas as idades reconheceram a sua relevância, enquanto 47,5% dos homens negaram tal influência. A respeito da influência do isolamento e da pandemia na maneira pela qual os participantes veem a sua própria pele, 53,% reconheceram essa influência, prevalecendo as respostas positivas entre mulheres de 18 a 29 anos.

Quando questionados sobre a intenção de realizar algum procedimento estético durante a pandemia, 66,9% dos participantes concordaram que pensaram nisso, sendo essa afirmação

prevalente nos indivíduos com renda familiar acima de cinco salários-mínimos e em mulheres de todas as idades. No entanto, apenas 46% visitaram profissionais da saúde para, de fato, realizar tratamento dermatológico durante a pandemia, sendo mulheres de 18 a 29 anos e homens de 40 anos com renda acima de cinco salários-mínimos a amostra predominante nesse quesito.

Tabela 1: Mudança de como os participantes se veem fisicamente durante a pandemia. Imagem retirada de silva e colaboradores (2022).

Tabela 2: Influência dos aplicativos na autoimagem durante a pandemia. Imagem retirada de silva e colaboradores (2022).

Discussão e conclusão

Silva e colaboradores (2022) exploraram o impacto do uso de aplicativos de interação social imposto durante a pandemia da COVID-19 sobre a autoimagem. No estudo, 69,71% dos entrevistados alegaram mudanças na autoimagem (Tabela 1), além de 58,3% relatarem a influência dos aplicativos na mesma (Tabela 2).

O estudo destacou, ainda, que pessoas com preocupações excessivas em relação à sua aparência eram particularmente propensas a concentraram-se em si mesmas durante as videochamadas e a perceberem novas questões relacionadas à sua imagem na câmera. As novas inquietações geralmente estavam relacionadas principalmente à aparência facial, como notar ou imaginar mudanças no peso, na forma do rosto, manchas na pele ou características faciais específicas.

Como resultado, esses indivíduos demonstraram um aumento no interesse por procedimentos estéticos em comparação com o período anterior à pandemia, especificamente tratamentos cosméticos não cirúrgicos. Portanto, é fundamental que os profissionais de saúde reconheçam essa tendência e conscientizem os pacientes de que as câmeras frequentemente distorcem as características faciais devido a aspectos técnicos. Além disso, é importante adotar uma

abordagem mais cuidadosa durante a anamnese em consultório para identificar possíveis dismorfias corporais que o paciente perceba de maneira exacerbada em si mesmo.