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Publicado el 20 de octubre de 2024

Tratamento inovador

A metformina surge como uma terapia promissora para CCAA

O uso de metformina oral em baixa dose foi associado à melhora dos sintomas e à modulação dupla da expressão gênica, estimulando vias de crescimento capilar enquanto suprimia marcadores de fibrose e inflamação.

Autor/a: Bao A, et al.

Fuente: JAMA Dermatol. 2024 Sep 4:e243062. doi: 10.1001/jamadermatol.2024.3062. Low-Dose Metformin and Profibrotic Signature in Central Centrifugal Cicatricial Alopecia

A alopecia cicatricial central centrífuga (CCCA) afeta principalmente mulheres negras. Nessa condição, ocorre a destruição dos folículos capilares por meio de processo inflamatório, resultando em perda permanente de cabelo. Embora a causa exata da doença ainda não seja totalmente compreendida, acredita-se que seja um processo inflamatório induzido por fatores genéticos ou ambientais.

Os tratamentos convencionais atuais visam a inflamação, mas não os processos fibróticos subjacentes, o que muitas vezes resulta em perda permanente de cabelo. É necessário que os médicos aconselhem a evitar traumas físicos e químicos prejudiciais ao couro cabeludo. Agentes anti-inflamatórios tópicos, incluindo corticosteroides tópicos, tacrolimo e pimecrolimo, podem ser úteis para acalmar a inflamação local. Antibióticos orais, como tetraciclinas, têm propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas e podem ser úteis no tratamento da CCCA.

Como uma alternativa ao tratamento, Bao e colaboradores (2024) realizaram um estudo com objetivo de investigar o uso de metformina oral em baixa dose, um medicamento com propriedades antifibróticas, com sintomas clínicos e padrões de expressão gênica do couro cabeludo em pacientes com CCCA.

Para o estudo, realizaram uma série de casos clínicos retrospectivos e análise transcriptômica com pacientes tratados entre janeiro de 2023 e março de 2024. Todos tinham diagnóstico confirmado de CCCA por biópsia e eram refratários aos tratamentos padrão. A análise transcriptômica foi realizada em pacientes com biópsias de couro cabeludo pareadas, coletadas antes e depois do tratamento com metformina adjuvante por pelo menos 6 semanas.

As avaliações clínicas incluíram prurido, inflamação, resistência do couro cabeludo e crescimento capilar. O perfil de expressão gênica, por meio de análise de sequenciamento de RNA em massa, avaliou a expressão gênica diferencial e o enriquecimento de vias.

No total, 12 participantes, todas mulheres negras, foram incluídas no estudo, e a análise transcriptômica foi realizada em 4 participantes. Após pelo menos 6 meses de tratamento com metformina (500 mg, uma vez ao dia), 9 participantes apresentaram melhora da doença, incluindo dor no couro cabeludo, inflamação e/ou prurido, e 6 demonstraram evidência clínica de crescimento capilar.

A adição de metformina levou à reversão de várias vias gênicas proeminentes anteriormente identificadas na CCCA.

A análise transcriptômica revelou a regulação positiva de vias e genes (proteínas associadas à queratina [KRTAPs]) envolvidos na queratinização, no desenvolvimento da epiderme e no ciclo capilar, com concomitante regulação negativa de vias e genes relacionados à fibrose (por exemplo, MMP7, COL6A1).

A análise de conjuntos de genes mostrou redução da expressão de vias de células T auxiliares 17 e de transição epitélio-mesenquimal, e elevação na sinalização de quinase ativada por monofosfato de adenosina e KRTAPs após o tratamento com metformina.

Sendo assim, o uso de metformina oral em baixa dose foi associado à melhora dos sintomas e à modulação dupla da expressão gênica, estimulando vias de crescimento capilar enquanto suprimia marcadores de fibrose e inflamação. Esses achados forneceram uma base para futuros ensaios clínicos que estudem a metformina como terapia direcionada para CCCA e outras alopecias cicatriciais.