Ceratoses actínicas são displasias queratinocíticas intraepiteliais com potencial de transformação maligna. Clinicamente, apresentam‐se como máculas, pápulas ou placas hiperqueratósicas sobre uma base eritematosa em áreas fotoexpostas; podem ser pigmentadas e apresentar variados graus de infiltração.
A radiação ultravioleta é o principal fator envolvido na patogênese, porém fatores individuais também interferem na predisposição ao surgimento das lesões. Por isso, a fotoproteção é necessária, no entanto, uma limitação importante dessa abordagem é que a maioria dos pacientes não aplicam o filtro solar corretamente, ou suficientemente, ao longo tempo. Sendo assim, a fotoproteção sistêmica poderia ser uma estratégia de defesa adicional útil.
Por isso, Pellacani e colaboradores (2022) avaliaram se a fotoproteção sistêmica (oral) administrada de maneira controlada aumentaria a eficiência do tratamento tópico em indivíduos com danos actínicos graves. Para isso, foi realizado um estudo prospectivo, multicêntrico, randomizado, controlado com três braços (proteção solar auto-administrada, tratamento tópico [GEL SPF 100 com extrato de Polypodium leucotomos (PLE), duas vezes ao dia em áreas expostas ao sol], tratamento tópico + oral [SPF100 combinado com 240 mg PLE uma vez ao dia]).
Os pesquisadores acompanharam uma combinação de parâmetros clínicos, que constituem a base de uma “pontuação fotográfica” de fácil utilização, e o exame microscópico da pele realizado por meio de técnica não invasiva para determinar a intensidade do dano e a eficácia da intervenção. A hipótese foi que a pontuação melhoraria em indivíduos que realizaram a aplicação do filtro solar tópico em comparação com os participantes que usam filtro solar ad libitum; e que a adição de um fotoprotetor sistêmico melhoraria ainda mais a pontuação. Foi escolhido um fotoprotetor natural (PLE) que foi utilizado tanto topicamente quanto oralmente.
Um total de 131 indivíduos (84% homens, idade média de 74 anos) com grave fotoenvelhecimento e história de pelo menos 3 ceratoses actínicas participaram do estudo e foram divididos igualmente nos três grupos.
A avaliação dos parâmetros objetivos, como o Actinic Keratosis Area Score Index (AKASI), revelou uma piora da ceratose actínica nos sujeitos do grupo controle, enquanto melhoras foram observadas no grupo que recebeu tratamento tópico e, principalmente, no grupo que associou esse tratamento com o oral.
Apenas um participante do grupo que recebeu a associação de tratamento desenvolveu uma nova ceratose actínica e necessitou de terapia adicional. Com isso, os pesquisadores afirmaram que esse tipo de abordagem pode prevenir o aparecimento de novas lesões em áreas da pele expostas ao sol.
A explicação pela qual a combinação apresentou maior eficácia pode estar relacionada à combinação de proteção dos queratinócitos contra danos celulares diretos à ultravioleta durante a exposição celular e proteção celular estendida e manutenção da homeostase dada pela suplementação oral. Além disso, o tratamento com extrato de Polypodium leucotomos demonstrou prevenir a depleção induzida por UV das enzimas antioxidantes do sangue e da epiderme em um modelo murino.
Outro ponto importante do estudo foi a atitude dos sujeitos em relação à fotoproteção. Ambos os grupos de intervenção foram menos propensos a esquecerem o uso do protetor solar e a manterem uma hidratação adequada. Isso mostrou que a autoeducação desempenhou um papel importante na fotoproteção.
Em conclusão, Pellacani e colaboradores (2022) demonstraram que tanto o tratamento tópico isolado quanto associado ao oral com extrato de Polypodium leucotomos melhorou o controle da ceratose actínica e evitou novas ocorrências.