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/ Publicado el 27 de mayo de 2024

Estudo de coorte

A associação entre histórico obstétrico e parto prematuro em mulheres com anomalias uterinas

Estudo com objetivo de a esclarecer o risco de parto prematuro para mulheres com anomalias uterinas, com base em seu histórico de gravidez anterior

Autor/a: Khander A, Stern E, Gerber RS, Fox NS

Fuente: J Matern Fetal Neonatal Med. 2018 Oct;31(19):2550-2554. doi: 10.1080/14767058.2017.1347625. The association between obstetrical history and preterm birth in women with uterine anomalies

Introdução

Anomalias uterinas congênitas são resultado da fusão anormal e desenvolvimento embrionário dos ductos mulleriano. Estão presentes em aproximadamente 2-4% da população em geral e vão desde defeitos leves, como útero arqueado, até graves, como falha completa de fusão (útero didelfo). Estão associadas a vários desfechos adversos na gravidez, incluindo parto prematuro, doenças hipertensivas, cesariana e restrição do crescimento fetal.

Grandes estudos destacaram que a ocorrência prévia de parto pré-termo é o principal fator de risco para nascimento prematuro espontâneo. No entanto, os mecanismos subjacentes a essa relação ainda são desconhecidos. Isso é especialmente relevante, pois o diagnóstico de anomalias uterinas geralmente ocorre após eventos adversos na gravidez.

Por isso, Khander e colaboradores (2017) realizaram um estudo com o objetivo de estimar a associação entre histórico obstétrico de parto prematuro em mulheres com anomalias uterinas, assim como em um subconjunto de mulheres com defeitos de fusão importante (unicorno, bicorno, didelfo).

Métodos

Realizou-se um estudo de coorte retrospectivo de mulheres com anomalias uterinas atendidas em clínicas de medicina materno fetal de 2005 a 2016. Essas foram separadas em três grupos com base no desfecho da gravidez mais recente: parto prematuro <37 semanas, a termo e nulíparas.

 Os resultados foram comparados entre os três grupos, com o desfecho primário sendo parto prematuro <37 semanas. Foi realizada uma análise de subgrupo em mulheres com anomalias uterinas importantes (unicorno, bicorno, didelfo).

Ao longo do período do estudo, as pacientes com anomalia uterina e parto pré-termo espontâneo anterior foram tratadas com caproato de 17-alfa-hidroxiprogesterona (17-OH-P) a partir de 16 semanas (a mais precoce) até 36 semanas ou o nascimento.

Resultados

Foram incluídas 283 mulheres com as seguintes anomalias uterinas: 30,7% útero septados com ressecção, 13,4% septados sem ressecção, 25,4% bicorno, 10,6% unicorno, 9,5% arqueado, 5,7% didelfo, 3,5% em forma de T e 1,1% não classificadas. No total, 18,7% mulheres tinham histórico de parto pré-termo anterior, 42,4% de parto a termo prévio e 38,9% eram nulíparas.

O parto prematuro <37 semanas foi de 60,4% em mulheres que tiveram parto pré-termo prévio vs. 15,8% a termo vs. 18,2% nulíparas. Quando comparamos esses dois últimos grupos, não houve diferenças significativas entre eles.

Entre as 118 mulheres com anomalias uterinas importantes, a probabilidade de parto prematuro também foi maior no grupo de parto pré-termo e a diferença entre as nulíparas e as com gestação anterior ≥37 semanas não foi significativa.

Discussão

Uma associação significativa entre parto pré-termo anterior e recorrente foi encontrada em mulheres com anomalias uterinas.

A probabilidade de parto prematuro foi 3 a 4 vezes maior em mulheres com um filho que nasceu pré-termo anteriormente, em comparação com nulíparas e com gestação a termo.

Isso foi verdadeiro mesmo que 58,5% dessas mulheres tenham recebido 17-OH-P e 18,9% cerclagem. Indicando que, apesar do tratamento, mulheres com anomalia uterina e parto pré-termo anterior têm um risco aumentado significativo de nascimento prematuro recorrente.

Curiosamente, um parto a termo anterior não parece ser "protetor" para um nascimento prematuro, pois a probabilidade desse não diferiu entre mulheres nulíparas e com parto a termo anterior.

As descobertas podem afetar como os ginecologistas aconselham suas pacientes com anomalias uterinas em relação ao desfecho da gravidez e aos riscos associados às gestações futuras. Também pode afetar a vigilância pré-parto ou a transferência para um nível de cuidado mais elevado.

Conclusão

Em mulheres com anomalias uterinas, um parto prematuro anterior foi significativamente associado à sua recorrência. No entanto, em comparação com mulheres nulíparas, o seu risco não foi reduzido. Mais pesquisas são necessárias para avaliar a eficácia de intervenções para prevenir o parto prematuro em mulheres com anomalia uterina, especialmente naquelas com história de prematuridade prévia.