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/ Published on December 1, 2024

Para a prática clínica

Apneia obstrutiva do sono em crianças: diagnóstico, manejo e prevenção

Entenda os principais sintomas, tratamentos e abordagens para melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Author: Xavier, L. et al. (2024)

Fuente: Jornal Brasileiro de Pediatria Pediatric obstructive sleep apnea: diagnosis and management

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um distúrbio respiratório caracterizado pela redução ou interrupção do fluxo de ar nas vias aéreas durante o sono. Esta condição afeta entre 1% e 5% das crianças e está associada a diversos fatores de risco, incluindo obesidade, hipertrofia adenotonsilar, prematuridade, anomalias craniofaciais, doenças neuromusculares, síndromes genéticas, asma e rinite alérgica.

A AOS integra a classificação dos distúrbios respiratórios obstrutivos do sono (DRS), que também inclui o ronco primário, a síndrome de resistência das vias aéreas superiores e a hipoventilação obstrutiva. Além disso, a AOS está associada a comprometimentos neurocognitivos, problemas comportamentais, retardo no crescimento, hipertensão e disfunção cardíaca, entre outros, impactando significativamente a qualidade de vida dessa população pediátrica.

Diagnóstico

De acordo com a Academia Americana de Medicina do Sono (AAMS), os critérios clínicos para o diagnóstico da AOS pediátrica incluem a presença de um ou mais dos seguintes sintomas: ronco, respiração limitada, paradoxal ou obstruída durante o sono; sonolência diurna; hiperatividade; problemas comportamentais; dificuldades de aprendizagem; ou outros comprometimentos cognitivos. Outros sinais clínicos frequentemente associados à AOS incluem sudorese noturna, enurese, dores de cabeça ao despertar, respiração bucal e hipertrofia tonsilar, entre outros.

A AAMS também estabelece critérios polissonográficos (PSG) para o diagnóstico da AOS pediátrica, incluindo um índice de apneia-hipopneia obstrutiva (IAH) ≥ 1 evento por hora de sono, com ou sem padrão de hipoventilação obstrutiva, caracterizado por hipercapnia durante ≥ 25% do tempo total de sono, acompanhada por ronco, achatamento da onda de pressão nasal inspiratória ou movimento toracoabdominal paradoxal. A análise da gravidade com base nos achados da PSG, ainda que fundamentada principalmente em prática clínica e consenso limitado, também auxilia na definição da abordagem terapêutica. 

> Classificação do índice de eventos respiratórios

• Leve: IAH menor que 5 eventos/hora

• Moderada: IAH de 5,0-9,9

• Grave: IAH ≥ 10

Manejo

O tratamento da AOS em crianças é abrangente e adaptado às suas necessidades e características de desenvolvimento físico. Modificações no estilo de vida, como incentivo à perda de peso em casos de obesidade e a criação de rotinas de sono consistentes para promover um ambiente de descanso adequado, constituem medidas iniciais essenciais. Além disso, é importante tratar condições subjacentes, como alergias e congestão nasal, que contribuem para a obstrução das vias aéreas durante o sono.

Para pacientes pediátricos com AOS e hipertrofia adenotonsilar, sem contraindicações cirúrgicas, a adenoidectomia e/ou amigdalectomia é recomendada como primeira linha de tratamento. Em casos graves ou refratários, o uso de CPAP pode ser indicado para manter as vias aéreas abertas durante o sono. O uso de corticosteroides nasais, montelucaste ou ambos pode ser útil em casos leves, enquanto a expansão maxilar rápida e dispositivos ortodônticos podem ser considerados para crianças com constrição maxilar, retrognatia ou má oclusão.

Além disso, é essencial uma abordagem multiprofissional e o monitoramento regular para avaliar a eficácia do tratamento e realizar ajustes conforme necessário, assegurando assim um sono adequado, promovendo o crescimento saudável e melhorando o bem-estar geral da criança.

Prevenção e prognóstico

É fundamental que os clínicos estejam atentos aos possíveis sintomas de apneia obstrutiva do sono em crianças e adolescentes. As consequências potenciais da AOS pediátrica não tratada incluem déficits neurocomportamentais, alterações metabólicas, doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, disfunção ventricular e hipertensão pulmonar, exacerbação de comorbidades (como asma) e comprometimento do crescimento. Para minimizar os efeitos adversos dessa condição, é importante implementar medidas preventivas que abordem fatores de risco modificáveis.