Atualmente consumimos mais alimentos industrializados ao invés de alimentos in natura. Os alimentos industrializados são ricos em açúcares e gorduras. O açúcar funciona como um recurso de baixo custo, que torna a experiencia de comer prazerosa e desencadeia o consumo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, que tanto para adultos quanto para crianças, o açúcar seja reduzido para menos de 10% da ingesta calórica total e que uma redução de 5% produziria benefícios adicionais a saúde.
O açúcar é um forte estímulo a secreção de insulina, e o excesso de insulina induz a obesidade. Sua produção contínua também facilita a perda de sensibilidade dos tecidos à sua ação (resistência a insulina) e o dano às células beta do pâncreas e, por consequência, a diabetes tipo 2. Além disso o consumo de açúcar está relacionado com a esteatose hepática não alcoólica, doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), cárie e perda dentária.
| Consumo de açúcar no Brasil |
De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008, o consumo alimentar brasileiro é marcado por altos teores calóricos, com baixo consumo de vegetais e elevado consumo de bebidas adoçadas, como, por exemplo, sucos, refrigerantes e refrescos. Além disso, a pesquisa identificou que 61,3% da população consome açúcar excessivamente. Ao analisar a pesquisa de 2002, o aumento da participação média do açúcar na alimentação foi de 16%, o que excede o limite recomendado pela OMS.
A Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 demonstrou que apenas 37,3% da população adulta tinha consumo de frutas e hortaliças, enquanto 23,4% relatou consumo regular de refrigerante. Ainda 21,7% da população relatou consumo regular de alimentos doces, como bolo, tortas, chocolates, biscoitos, balas ou bolachas doces.
O consumo excessivo de açúcar pela população brasileira é principalmente devido ao açúcar adicionado diretamente aos alimentos. Esse açúcar é mais frequentemente adicionado em biscoitos recheados, refrigerantes, doces, bolos, biscoitos doces, sucos e refrescos.
Neste contexto são necessárias estratégias de promoção de uma alimentação saudável e práticas de atividade física. Uma das medidas adotadas pelo governo brasileiro em 2018 foi a diminuição da quantidade de açúcar nos alimentos industrializados até 2022.
Os alimentos que compõem o plano são aqueles que contribuem ao consumo excessivo de açúcar e são passíveis de redução dos teores, como achocolatados em pó, bebidas adoçadas, biscoitos, bolos prontos, mistura para bolo e produtos lácteos.
| Essa medida é suficiente? |
As medidas são calculadas de acordo com o teor máximo de açúcar em cada categoria de alimento. O que significa que, na prática, apenas os valores exagerados de açúcar reduzirão. A maioria dos produtos que estão no mercado já tem menos açúcar que a meta estabelecida, então não irá contribuir a uma mudança efetiva.
Para que ocorra de fato um desestímulo de consumo dos produtos ricos em açúcar é necessário medidas que favoreçam escolhas mais saudáveis por parte do consumidor.
Uma da medida necessária é a educação nutricional com um rotulo nutricional mais simples ao consumidor, mostrando alerta para presença em excesso de açúcar e outros nutrientes críticos nos produtos alimentícios. Além disso é necessário aplicar medidas fiscais para aumentar o preço dos produtos ultraprocessados, diminuir o valor de produtos in natura e restringir a publicidade de produtos voltados a crianças.