Lola, Lila y Lolo | 24 JUL 21

Cães da vida

"Todo conhecimento, todas as perguntas e respostas estão no cachorro." FRANZ KAFKA
Autor/a: Esteban Crosio  

Na terça-feira, 6 de agosto de 2013, às 9h38, ocorreu uma explosão em Rosário e o desabamento de um prédio devido a um vazamento de gás natural. A onda de choque atingiu 500 metros, causando grandes perdas de material. Lola, uma cadela de resgate, chegou ao local no dia seguinte com seu treinador e parceiro fiel, Cristian Kuperbank. Após inesgotáveis ​​dias de buscas, no dia 12 de agosto encontraram os corpos das últimas pessoas desaparecidas. Às vezes, o consolo entre tanta dor se resume nisso: reconhecer fisicamente alguém que não vai nos abraçar novamente. Os danos emocionais ainda perduram e dificilmente podem ser apagados da memória dos sobreviventes e familiares das vítimas. A tragédia da rua Salta 2141 foi a última missão desta criatura muito especial.

Além de participar da megaoperação desenvolvida em Rosário, Lola e Cristian participaram em 2010 no Haiti, Guatemala e Chile. No ano seguinte foram protagonistas na Nova Zelândia e na Turquia. Terremotos, furacões e terremotos não impediram este herói para o resgate de seguir seu manipulador como a mais doce das sombras. Lola era um labrador retriever cor de chocolate, mesclado com um Chesapeakedean, com olhos outonais e olhar profundo. Ele afirmou seus instintos como uma ferramenta vital em meio a catástrofes. A capacidade de cheirar separadamente em cada narina, cheirar em estéreo, permite que os caninos respirem e identifiquem aromas simultaneamente. Os que sabem dizem que para esta função dispõem de cerca de 300 milhões de células altamente especializadas, um montante não desprezível em relação aos 5 milhões de que dispomos. O mais surpreendente sobre o cheiro dos cães é que ele pode atravessar o tempo, revelando outro mundo além da nossa vista.

Lola morreu em 25 de janeiro de 2015, após sofrer de insuficiência renal. Quando os rins dos animais começam a falhar, sem possibilidade de diálise ou transplante, a contagem regressiva não tem volta. “Lola era única”, lembra Cristian em um artigo de jornal sobre a tragédia da rua Salta, talvez imersa no inevitável desencanto da vida. Ele guarda em sua casa a estátua construída em homenagem ao seu companheiro com doações de chaves e outras peças de bronze que chegaram de todo o país, ainda à espera de um lugar merecido para serem expostas publicamente. “Infelizmente a perda de um animal da sua família é muito forte. Mas depois de viver tantas misérias pelas diversas catástrofes em que ajudamos, temos forças e isso deixa a sua memória muito feliz”. Anos depois, o destino (que gosta de fazer suas coisas) deu a Cristian mais um companheiro de aventura.

No sábado, 21 de outubro de 2017, depois de batalhar com uma nobreza invejável por qualquer pessoa, os rins de um certo Gaspar falaram basta e uma parte de mim fez uma viagem com ele. A outra parte que sobrou, meses depois decidiu cruzar o grande lago e chegar à Espanha. O objetivo era uma formação médica no Hospital Vall d'Hebron, encontrar no abrigo deste desafio a forma de processar a confusão da ausência de quem foi um grande companheiro e ao mesmo tempo um processo de aprendizagem. Foi lá que em maio de 2018 conheci Lila e Manuel, um paciente de sete anos com o diagnóstico de uma doença tão rara quanto difícil de tratar: a anemia de Fanconi.

Lila era da raça Golden Retriever, mas com cabelo branco puro açúcar, com um temperamento que estava longe da hiperatividade que caracterizava Gaspar. Confesso que quando os catalães pararam antes do meio-dia para comer seu sanduíche normal, fugi para a Unidade de Oncohematologia Pediátrica que ficava a cerca de cem metros do Banco de Sangue para ver como eram desenvolvidas as terapias assistidas por cães. O objetivo foi trabalhar através da interação com o animal, os aspectos emocionais, físicos ou sociais das crianças atendidas no hospital: motivá-las no seu processo de recuperação e reduzir o seu estresse. Bastou ver os rostos surpresos das crianças no primeiro encontro ou o forte vínculo que elas foram construindo nos contatos posteriores para confirmar a eficácia desse tratamento complementar.

 

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